Fotógrafo recordou sua trajetória em talk no ônibus de coolhunting do Senac Lapa Faustolo

 

Paisagens surreais, em que seres silfídicos são flagrados instantes antes de sair de cena, para reaparecerem em comunhão com a natureza e, então, fixarem-se pela cidade, tal qual estátuas impenetráveis congeladas no tempo. À medida que o fotógrafo Rogério Cavalcanti fala sobre sobre seus trabalhos mais importantes nas mais de duas décadas dedicadas à fotografia de moda, é a poesia da sua criação que nos convida a imergir no universo fantástico das suas imagens.

“A maioria dos meus trabalhos trata da materialização de sonhos, pois a realidade já é dura demais”, explica ele, no início da entrevista, e continua, “também faço ensaios convencionais de moda, mas não consigo ser minimalista, minha imagem tem de ter um drama, uma história”, conta Rogério, a bordo do ônibus de coolhunting do Senac Lapa Faustolo, que reuniu as turmas de Coolhunting e Styling em expedição poética pela cidade de São Paulo na semana passada.

Avesso às câmeras, Rogério se revela na subjetividade da sua fotografia

Fotografar sonhos não é apenas uma metáfora neste caso, o fotógrafo explica que realmente sonha com grande parte das imagens concebidas por ele, revelando parte do seu processo intuito de criação.

Visual desde criança, foi no Senac Francisco Matarazzo que Rogério teve o primeiro contato com o estudo da fotografia, nos anos 1990, de onde saiu para trabalhar como assistente no Estúdio da Editora Abril, então o maior da América Latina.

Por lá ficou durante 5 anos, cursou arquitetura na faculdade Belas Artes e decidiu mudar o rumo do próprio trabalho. “Quando me formei, ganhei um saco de filmes vencidos de uma amiga e resolvi fazer projetos experimentais com aquele material”, relembra.

As experimentações com a fotografia levaram Rogério a percorrer diferentes espaços em busca de novas histórias, como as vezes em que ele entrava no SPFW (São Paulo Fashion Week) com convites de amigos ou credenciais emprestadas, e treinava seu olhar para capturar personagens fora das passarelas, algo inovador para a época, em imagens de cores saturadas, como se pratica na lomografia, fora dos padrões comerciais.

“Hoje, com a popularização da fotografia digital e as redes sociais, as pessoas fazem foto de qualquer coisa. Naquela época, me diziam que eu fazia loucurinhas, uma coisa menor que a fotografia tradicional da passarela”, explica.

O trabalho autoral chamou a atenção de Paulo Borges e, em 2006, integrou a exposição Fotos Roubadas no SPFW, que apresentavam o olhar fantástico do Rogério sobre a semana de moda.

Desde então, a experimentação é uma marca do trabalho do fotógrafo, que leva na mochila acessórios inusitados como um prisma de acrílico para usar de filtro. “Gosto muito de filtros, mas eles têm de ter um propósito na imagem, senão, não se cria uma linguagem”, avalia.

Seu trabalho já percorreu todas as revistas de moda do Brasil e, mais recentemente, as edições nacionais da Revista Bloom, lançada pelo escritório da coolhunter holandesa Li Edelkoort, que conta também com colaborações dele com alunos de styling do Senac Lapa Faustolo.

Ano passado, o olhar do Rogério para a brasilidade levou suas fotografias para Bratislava, na Eslováquia, e Genebra, na Suíça, durante mostra na ONU (Organização das Nações Unidas), com outros nomes da moda brasileira, como Ronaldo Fraga e Marcelo Rosembaum. “Eu gostaria que o mood da moda fosse o olhar para o brasileiro, percebo que a gente ainda replica as tendências de fora na fotografia, sabe?”, expõe.

Confira as imagens selecionadas pelo Rogério para o público do #ModaInfo:

Siga o perfil do Rogério no instagram:

https://www.instagram.com/p/BcgnaSqDa7u/?taken-by=rogeriocavalcanti

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