Momento de reinvenção da moda é assunto de talk

 

João Braga, Walter Rodrigues, Roberto Meireles e Eduardo Costa

João Braga, Walter Rodrigues, Roberto Meireles e Eduardo Costa

O clássico bordão reservado ao anúncio de sucessão de trono que hoje só conhecemos por meio de filmes se aplicou ontem algumas vezes no talk sobre Futuro da Moda, promovido pela Focus Têxtil, que contou com o estilista Walter Rodrigues, o historiador João Braga, Roberto Meirelles, do Instituto Rio Moda, e Eduardo Costa, do Brechó Replay,

O mote foi lançado logo de início por Walter, no embalo da leitura do Manifesto Antifashion, publicado pela holandesa Li Edelkoort, em 2015, que, entre outras coisas, avalia a crise das vendas no varejo, a falência das marcas, a exploração da mão-de-obra, o desgaste do calendário de lançamentos, dos veículos especializados e a exaustão dos recursos naturais do planeta como o início do fim.

“A moda que morreu é aquela que nasceu no século 19, na qual algumas empresas ainda se encontram, reproduzindo ideias do século 20 para clientes do século 21. Hoje em dia, não é mais necessário aderir às tendências se elas não te representam, nem renovar o guarda-roupa a cada temporada”, explica Walter, para quem a falta de identidade das marcas é um dos principais problemas da nossa época.

Sobre isso, Eduardo Costa, que levou o homem negro à lua no desfile manifesto da estreia da sua marca nas passarelas, vai além na crítica da relação das pessoas com a moda. “Não é só pra roupa que as tendências pararam de fazer sentido, é para o corpo. A gente cansou de gastar tanto tempo e dinheiro para imitar pessoas que não nos representam. Esse formato de negócio é financeiramente ruim para o mercado e está datado. É melhor que morra mesmo”, avalia.

Contudo, essa constatação, óbvia na teoria, não é realidade para a maioria dos players da cadeia de moda, já que, da confecção à comunicação dos lançamentos na mídia, o modus operandi das entregas ainda é o da reprodução dos antigos manuais de etiqueta criados pela monarquia, que ditam o “pode e não pode” da vez.

Roberto Meireles, que mediará a arena sobre empreendedorismo do #ModaInfo 2017 ed.2, avalia que essa perspectiva de morte e renascimento vem da necessidade de reajuste do sistema da moda, tanto para o consumidor quanto para as marcas. “As pessoas esquecem que a adaptação leva um tempo. A escolha por roupas feitas para durar é como a da alimentação orgânica, passa por mudança de comportamento”, acredita.

A questão é que ser in ficou demodé, e quem não percebe isso fica para trás do seu próprio tempo, como arrematou João Braga, para quem o nosso zeitgeist (espírito do tempo) reflete a necessidade de reinventar o sistema atual da moda.

“O zeitgeist vem para aniquilar o que era norma e anunciar a nova vontade de um tempo. Por isso, tão importante quanto estudar moda é estudar áreas correlatas, como sociologia, por exemplo, e entender o que acontece no mundo”, afirma João, que conclui, “a moda dialoga com tudo, se há um problema com ela, é um problema social, deve ser resolvido por políticas públicas”, finaliza.

 

Foto em destaque: Vivienne Westwood FW17/ Agência Fotosite

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