Profissional fala sobre integração da sustentabilidade no mercado de moda ao público do #ModaInfo, em 24/8

 

Chiara Gadaleta, 46, conhece como poucos os diferentes lados do mundo fashion; iniciou sua carreira como modelo aos 21 e pouco tempo depois já desfilava em Paris, quando estudou moda no Studio Berçot.

Desde então, Chiara já foi produtora, stylist, estilista, empresária e consultora, ganhando ainda mais destaque no segmento ao lançar o Movimento Ecoera, iniciativa pioneira de mapeamento da sustentabilidade em pequenas, médias e grandes empresas de moda e beleza no Brasil, que no ano passado realizou sua primeira premiação.

A bela vem à 48ª edição do Senac Moda Informação, em 24/8, no teatro Cetip, discutir um tema delicado, a implementação de processos sustentáveis dentro de toda a cadeia de valor da moda, inclusive no fast-fashion. Para ela, o mais importante agora não é dar as costas a esse modelo de negócio, mas sim, perguntar-se o que fazer com ele.

“O mercado deverá se questionar como integrar a sustentabilidade aos processos do fast fashion, por mais difícil que seja essa questão”, afirma a profissional, que revela ter testemunhado o descarte diário de cerca de 40 toneladas de roupas – que nunca foram usadas – na região do Bom Retiro, no centro de São Paulo. “Falta regulamentação para esse descarte desenfreado, que não deveria nem acontecer e é, por outro lado, terreno fértil para novos conceitos de reaproveitamento da produção, como o reúso e o upcycling. Por isso, vejo a sustentabilidade como força de união na cadeia de moda”, acredita Chiara.

Confira o ping-pong da especialista com o #ModaInfo:

 

Qual é o desafio para os designers de moda na integração da sustentabilidade ao dia a dia do seu trabalho?
É necessário que o estilista, que atua na concepção do novo, elabore produtos sustentáveis aliando os fatores de escala e de preço.

Mas há futuro para o fast fashion quando pensamos em sustentabilidade?
É difícil, mas essa questão tem de ser olhada de outro ângulo. Não podemos simplesmente dizer que isso não será possível, mas nos perguntarmos o que podemos fazer de diferente.
Ao contrário de uma nova marca que já traz a sustentabilidade em seu DNA, esse modelo de negócio que só cresce no Brasil já está aí e precisará repensar sua estratégia para minimizar os impactos ambientais. Para isso, tanto o governo, quanto os empresários e os clientes têm de se unir, por isso falo que a sustentabilidade vai trazer a união ao setor, cada elo dessa corrente precisará olhar o que o outro está fazendo para acrescentar valor com suas atitudes.

Você fala muito das iniciativas individuais, mas e em relação à regulamentação?
Estamos engatinhando nesse quesito ainda, precisamos articular a sociedade civil, as empresas e o poder público para tirar as boas práticas do papel e estruturar os processos. Veja bem, as entidades certificadoras nunca foram tão acionadas como hoje, a sociedade já demanda a transparência das empresas, esse é o nosso futuro.

Por meio da sua experiência com o Movimento Ecoera, como você avalia a abertura das empresas à reestruturação do modelo de negócios?
Tivemos oitenta empresas cadastradas na nossa primeira edição de premiação, o que mostra que as empresas começam a trazer a sustentabilidade para suas agendas e significa uma grande transformação para o mercado.
Nosso trabalho foi fotografar as práticas socioambientais de pequenas, médias e grandes empresas dos segmentos de moda e beleza no Brasil e entregar indicadores para o restante do mercado se mexer.

Como tem sido a sua experiência de colunista de sustentabilidade em um veículo de moda?
Eu comecei com uma coluna na revista Estilo há 3 anos e, há 1 ano e meio, escrevo para a Vogue. Minha coluna mensal também se chama Ecoera e é interessante que sempre há produtos com pegada sustentável para divulgar, isso é um bom sinal. O assunto é novo na moda e já vem sendo integrado ao cotidiano das marcas.

 

Quer fazer mais perguntas pra Chiara? Antecipe por aqui e ela responderá durante o próximo #ModaInfo!

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