Recolhimento de impostos de 85% das empresas do segmento é cinco vezes maior atualmente. Associação acredita que a medida viabilizará crescimento do setor

 

A ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) propõe que o recolhimento de impostos ao governo federal sobre a receita bruta das confecções baixe para 5% para assim estimulá-las a crescer.

Para se ter uma ideia do tamanho da proposta, uma confecção que atua no lucro real, categoria que envolve 85% dos players nesse mercado, recolhe hoje cerca de 26% de impostos, divididos entre 18% de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), 1,65% de PIS (Programa de Integração Social) e 7,6% DE COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social).

No entanto, o consumidor final, que paga até 40% de impostos nas roupas que compra, não seria beneficiado pela medida, já que ela não envolve a cadeia do varejo, apenas a indústria.

“O setor têxtil, que emprega cerca de 1,4 milhão de pessoas, precisa urgente de uma reforma tributária para que ele cresça. Do contrário, as confecções que, em sua grande maioria são pequenas e médias empresas enquadradas no Simples, continuarão sem vontade de crescer para não perder essa condição. Além disso, o Simples não credita o varejista do ICMS, então as grandes lojas não compram dos pequenos. É um sistema cruel, que pune quem deseja crescer”, avaliam os técnicos da Associação.

 

Juros altos

Alfredo Bonduki, presidente do Sinditêxtil-SP (Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo), avalia que a manutenção da Selic (taxa básica de juros) em 14,25%  – maior patamar da taxa em quase 10 anos – confirma a má situação econômica que o Brasil atravessa. “Graças a uma política fiscal fraca e irresponsável, o Brasil continua praticando as maiores taxas reais de juros do planeta, e somente reformas estruturais podem mudar esta situação”, acredita.

De acordo com o executivo, é necessário, além de realizar a reforma tributária, flexibilizar as leis trabalhistas e diminuir o “custo Brasil”. “A Selic elevada é inútil para combater a inflação e contribui para o enfraquecimento da economia nacional, sacrificando a produção, o investimento e a sociedade como um todo”, finaliza.

 

Fotos: ThinkStock

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