Movimento fundado pelo jovem estilista agora se consolida como escola de moda em Paraisópolis com apoio da USP e Abepem

 

Alex Santos, na favela de Paraisópolis

A história do estilista Alex Santos, 27, idealizador do movimento PIM (Periferia Inventando Moda), evento de moda que nasceu na favela de Paraisópolis em 2014 e agora se desdobra na UniPIM, uma escola profissionalizante com apoio da USP para pessoas residentes nas periferias de SP, é uma verdadeira lição sobre “hackear o sistema de dentro”, termo em voga nas rodas de conversa atuais.

Morador da comunidade há mais de 10 anos, Alex conta que sempre quis trabalhar com moda, mas faltava oportunidade. “A ideia do PIM surgiu em 2014, quando assisti a um desfile do João Pimenta no CEU de São Caetano do Sul pela iniciativa social do SPFW. Apesar de ter adorado ver o desfile, não me senti representado ali, não vi ninguém da comunidade trabalhando nele, aquilo me incomodou”, recorda.

Ele, que na época era aluno de Design de Moda, pensou então em realizar uma exposição dos trabalhos de sua sala na comunidade em que morava, mas sua professora o desafiou a fazer algo maior. “Ela me disse que precisávamos dar vida às roupas, daí me propôs a organização de um desfile”, explica Alex, que lembra que precisou se virar para reunir voluntários para produção, fotografia e passarela entre as pessoas da sua comunidade.

“O João Pimenta nos emprestou seus looks para a 1ª edição do PIM, ficamos muito contentes e entendemos que tínhamos um potencial a explorar ali, mas precisaríamos profissionalizar essas pessoas”, conta o estilista, que desde então vem instigando o pessoal da comunidade a revelar seu talento nas áreas de criação e produção de moda, tradicionalmente ligadas a ambientes inacessíveis a eles. “Ainda é difícil convencer as pessoas daqui a não desistirem desse sonho, mas pensa, se até um tempo atrás elas diziam que moravam no Morumbi por vergonha de assumir que eram de Paraisópolis, imagina correr atrás disso”, explica ele.

Desde então, o PIM abarca tanto uma escola de modelos, quanto workshops de produção e fotografia na favela de Paraisópolis, além dos eventos de moda em que cerca de 30 marcas de diversas comunidades de SP, como a Mete a Marra e Malokero, desfilam suas criações, com o apoio e profissionais de peso, como o maquiador Max Weber, numa passarela com DNA street em que não se vê roupas caríssimas ou corpos supermagros. Tudo ali é feito na e para a comunidade.

“Nenhuma marca paga para participar, nós estamos sempre em busca de recursos para continuar dando oportunidade para quem está começando”, afirma ele, que revela que cada edição do evento custa cerca de R$20 mil. “Nossa estrutura é colaborativa e enxuta”, avalia.

De lá pra cá, mais de 200 modelos já se formaram nas oficinas do PIM, que recebe apoio público e privado, e a meta é atingir mais de 2 mil pessoas da comunidade com a UniPIM este ano. “A gente vai focar em cursos de branding pra moda e criação. queremos revelar o potencial criativo do pessoal daqui. Nossa meta é desenvolver um tecnólogo na área para o ano que vem e ‘diplomar’ o pessoal com certificado da USP”, revela ele, que recebe pessoas de lugares distantes, como Mogi e Guarulhos, em seus cursos.

Com o apoio da USP e Abepem, a UniPIM será inaugurada no dia 13/3, no CEU Paraisópolis, em evento aberto ao público. Para participar, acesse a página do evento.

Lançamento UniPIM
Data: 13 de março de 2018
Horário: 19h
Local: CEU Paraisópolis
End. Rua Dr. José Augusto Souza e Silva, S/N° – Paraisópolis – São Paulo – SP

Gratuito

Fotos: Marcella Ferrari Boscolo

 

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