Sylvio Napoli, gerente de tecnologia e inovação da ABIT, afirma em entrevista ao #ModaInfo que a indústria têxtil brasileira deve aproveitar o momento propício ao mercado de exportações para se reafirmar neste nicho, investindo em sofisticação e sustentabilidade nos produtos com DNA nacional.

Como a alta do dólar influencia a indústria têxtil?
Eu vejo a alta do dólar de forma positiva, mas apenas a médio prazo. Para que a oportunidade seja aproveitada, as empresas precisam sofisticar sua visão de produção e o portfólio, não adianta retornar aos clientes antigos com a mesma oferta de antes. O Brasil só conseguirá retomar a competitividade no mercado de exportação quando oferecer produtos diferenciados, com maior valor agregado, agilidade, qualidade e flexibilidade.

Médio prazo é quanto tempo?
Se mantivermos o ritmo atual, a situação deve começar a melhorar já no segundo semestre do ano que vem.

A indústria está pronta para avançar em exportações?
Ela está preparada para o desafio porque investiu alto em tecnologia, aproximando-se do mercado externo nesse sentido, mas ainda precisamos melhorar o chamado “custo Brasil”, que envolve os impostos e a cadeia de logística, por exemplo, fatores que influenciam o preço final do produto e diminuem nossa competitividade.

E em relação ao mercado interno?
Devemos lutar para que o país não seja vítima de concorrência desleal, como produtos importados a um preço baixíssimo em que são notórios processos de produção que não englobam sustentabilidade ambiental e social, em condições que não se pode competir.

Quais produtos brasileiros possuem alto potencial de exportação?
Os artigos jeans, linhas de cama, mesa e banho e, principalmente, os tecidos técnicos, temos um mercado enorme para atender.

A sustentabilidade é um diferencial do nosso produto?
Com certeza, e afirmo que o Brasil deve buscar a liderança neste nicho. O mundo demanda produtos sustentáveis.

A sustentabilidade está em qual estágio na indústria têxtil?
Ela ainda não e uma unanimidade por aqui, mas se torna cada dia mais uma exigência do público, principalmente no mercado externo. Se você não for socialmente responsável, pode até vender seus produtos uma primeira vez, mas não conseguirá se estabelecer no mercado.

 

Foto: Marcella Ferrari

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