Semana de moda flerta com diversidade e conforto

Nem as lolitas da Harajuku, nem as gueixas do Japão ancestral. Foram os looks confortáveis, cuja silhueta faz eco à tendência global da mobilidade nas regiões urbanas, que deram o tom à semana de moda da capital do street style, o bairro de Shibuya, em Tóquio, onde aconteceu semana passada a edição de inverno da semana de moda japonesa, o AFWT (Amazon Fashion Week Tokyo) que, como o nome entrega, emprega sua atenção à criação palatável para o mercado internacional.

Não por acaso, todos os desfiles trouxeram modelos de etnias e corpos diversos nos castings, apostando muitas vezes na fluidez de gênero para apresentar seus looks, em grande parte ecléticos, construídos a partir de várias camadas de informação de moda, como os utilizados por ícones do pop asiático.

Esse flerte com a diversidade ficou evidente até no conceito visual da semana, que sob o mote eu também sou uma cultura, decodificou os indivíduos do nosso tempo como potências criativas, ao redor dos quais orbitam uma série de influências únicas obtidas ao longo da vida.

Num olhar mais atento, a engenhosidade com que os designers construíram seus looks, impecáveis em termos de caimento e fiéis à identidade de marca, revelou a obsessão pela perfeição característica dessa cultura, que se sobressaiu no trabalho de criativos contemporâneos como Kunihiko Morinaga, à frente da Anrealage, Beautiful People e Ha-ha.

Conheça 10 marcas que marcaram presença na Amazon Fashion Week Tokyo:

Anrealage

Expoente da moda contemporânea japonesa, a marca autoral do designer Kunihiko Morinaga propõe peças que fogem da silhueta padrão, introduzem diferentes conceitos tecnológicos e questionam o futuro da moda.

Por aqui, seu trabalho foi conferido no final do ano passado na exposição Light Un Light, na Japan House, que dissecava as relações de luz e sombra no corpo vestido, afetando os tecidos sensíveis a luz em termos de cor e forma.

Nesta edição do AFWT, a marca apresentou looks pensados para corpos superaltos, o que fez os modelos “encolherem” nas roupas.

Beautiful People

Ex-modelista da Comme des Garçons, Hidenori Kumakiri apresenta em sua marca própria a sua ideia sobre o conceito de beleza, que para ele surge da tensão que antecede o encontro entre contrastes.

“Queremos que nossos usuários sejam livres, livres de preconceitos enrijecidos sobre quem eles deveriam ser”, explica o designer.

Nesta coleção, o genderless desponta como principal diretriz criativa, em looks que flertam com a alfaiataria e peças desestruturadas.

Yuki Torii

Fundada em 1975 pela estilista Yuki Torri, a marca se inspira no conforto do cotidiano sem abrir mão da sofisticação.

Ha-ha

Ha-ha significa tanto “mãe” em japonês, quanto sugere o riso.
Com isso, a designer Takafumi Tsuruta diz a que vem em sua moda jovem, porém repleta de ancestralidade.
Para esta temporada, a estilista optou por decodificar looks esportivos, como peças de mergulho, para o cenário urbano, ao mesmo tempo em que desconstruiu componentes dos kimonos, como os obi amarrados na cintura dos modelos, criando uma das coleções mais interessantes da semana.

Muze

Na ativa desde 2013, a marca de Hiroshi Shibahara tem no DNA um produto racional, funcional e contemporâneo.

Em busca de pluralidade, a edição dos looks mescla peças de alfaiataria, street e activewear, com a mesma facilidade com que reúne diferentes biotipos de modelos na passarela.

Nesta temporada, a marca desfilou junto da PRDX, que também citamos abaixo pelo seu potencial disruptivo.

Neglect Adult Patients

O designer Junnosuke Watanabe faz parte do time de criadores que utiliza a plataforma da moda para hackear seus pilares, motivo pelo qual subverte regras para o corpo vestido na moda a cada nova coleção.

Neste temporada, ele optou por endereçar as funções de seu casting nas camisetas, igualando modelos e staff por meio do discurso vestimentar, enquanto eles apresentavam os looks da marca em manequins.

Nobuyuki Matsui

Especialista em alfaiataria, Nobuyuki Matsui apresenta na AFWT a versão pronta para vestir da sua visão contemporânea de moda masculina.

Na ativa desde 2016, o estilista também atua com looks sob medida em seu ateliê.

PRDX Paradox

Queridinha das bandas de rock japonesas, a marca do designer Rie Tobita é compromissada com a desconstrução de esteriótipo de gênero e, apesar de ser inicialmente voltada ao público masculino, aproveita esse viés para incluir diversidade no seu casting.

Reracs

Naomi Kurahashi faz parte do time de designers japoneses obcecados pela engenhosa simplicidade dos looks minimalistas desta temporada, fazendo da praticidade e do conforto o mantra de criação.

Ryotamurakami

A visão do designer Ryota Murakani sobre os novos tempos se concretiza na desconstrução da forma, a partir do que o modo como nos vestimos tem a dizer sobre nós.

Cachecóis que estrangulam, cintos que prendem, fendas que mostram demais, há aqui uma janela de interpretação ao interdito no discurso vestimentar.

Shiroma

Desde 2010 na ativa, a marca de Shiho Shiroma ressignifca o clássico na moda por meio da inserção de peças nada convencionais, como os vestidos esvoaçantes presos por arreios deixaram claro na passarela, flertando com bases contemporâneas da moda como a assimetria e a mistura de texturas contrastantes.

Foto em destaque: Divulgação do Amazon Fashion Week Tokyo

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