Rapper participou talk sobre beleza e diversidade no evento Casa Aberta

 

Mulher, negra, mãe, feminista e artista. Compositora dos hits Tombei, É o poder e Lalá, a rapper Karol Conka, chamada pelos fãs de mamacita, representa nas suas rimas afiadas as vozes de uma legião.

Karol Conka no Casa Aberta

Convidada pelo Senac Lapa Faustolo para um talk sobre beleza, moda e diversidade com o docente de moda Well Mendes para o evento Casa Aberta, que rolou em agosto, a artista bateu um papo divertido e sem censura com as mais de 300 pessoas presentes sobre a sua carreira e o momento atual de valorização do negro na indústria cultural.

Dona de uma imagem forte, de inspiração afrofuturista, Karol fez a façanha de decodificar para o grande público o zeitgeist da autoestima do neonegro (antecipado em 2007 pelo antropólogo Antonio Risério), hoje em voga como geração tombamento por causa da sua música.

Mas quem a vê poderosa no palco ou no comando do programa Superbonita, da GNT, não imagina os preconceitos que a artista teve que tombar para conquistar seu espaço no showbusiness. “Eu comecei a cantar com 16 anos, abrindo shows de rap em Curitiba, e tive de enfrentar a rejeição do público feminino e masculino por estar ‘rimando de saia e maquiagem’. Logo percebi que percorreria um longo caminho para desmistifica a figura da mulher no meio”, avalia.

Não por acaso, suas músicas falam sobre superação, aceitação e autoestima. “O mundo já é tão difícil que eu decidi usar meu dom da poesia para colorir a vida das pessoas”, reflete.

Assim, Karol se deu conta muito cedo de que ser feminista era uma questão de sobrevivência, posicionamento que lhe rende julgamentos até os dias atuais. “Quando a mulher está no poder, não pode errar em nada, porque qualquer erro dela será justificado pelo gênero. Tem muita gente ignorante que deturpa nossa luta por igualdade, mas esse peso é deles, não nosso”, conta.

Durante seu talk no Casa Aberta, a artista, que define seu estilo como esquisito, falou sobre o reflexo da diversidade na criação da sua imagem. Confira os principais trechos da fala da artista durante o evento.

 

Presença do negro na arte

Trazendo sempre a mensagem da diversidade nas suas músicas, a artista lembra que foi chamada de ativista de telão na época do clipe É o Poder, que só contava com pessoas brancas na produção:

“Eu sou uma artista negra, mas falo para todo mundo. Quando eu comecei a cantar, eu tinha dificuldade de encontrar artistas negros para compor a minha arte por estar condicionada a olhar apenas para a prateleira dos brancos, algo que eu fui desconstruindo ao longo da minha caminhada”, avalia Karol.

 

Geração tombamento

A cultura negra está com tudo ultimamente e tem gente que ainda não sabe lidar com isso. “As pessoas estão confusas na sociedade sobre como lidar com o negro, eu vejo as pessoas ‘cheia de dedo’ para falar com a gente ou fazendo questão de elogiar toda a vez que veem uma mulher negra”, pontua Karol, que continua, “talvez elas ajam assim para encobrir um passado de racismo que aconteceu e sobre o qual se sentem culpadas, mas ninguém deve nos elogiar [por educação] porque estamos bem resolvidas. Só peço que deixem a gente curtir nosso momento”, explica.

 

Mensagem do pop

“A maioria das artistas pop da atualidade ousam nos looks, o que é proposital. No meu caso, seleciono roupas que causem um impacto, mas, como vim do rap, penso que um dos principais objetivos do artista é passar uma mensagem. Acho que uma megaprodução que não diz nada não tem graça”, finaliza.

 

Liga alto o som pra curtir o mais novo trabalho da artista, Cabeça de Nego, um tributo ao rapper Sabotage:

Imagens: Divulgação

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