Entenda a aposta de maquiadores em belezas fresh

Faz um tempo que os tutoriais de maquiagem pesada, mate e com contorno vêm dividindo espaço com outros mais leves, de pele fresca (e cabelo idem) nos feeds das redes sociais dedicados à beleza, como um respiro em meio a tantas regras de marcação de rosto e pilhas de produtos must-have que movimentam esse mercado bilionário pós-Kardashians.

Mas chamou a nossa atenção esse pedido de leveza ter estampado capas de publicações tradicionais, como a Vogue Itália de fevereiro, para a qual a übermodel Gisele Bündchen foi fotografada sem maquiagem alguma e, mais recentemente, a Paper, que exibiu a cantora Christina Aguilera de cara limpa:

Gisele Bündchen para Vogue Itália

Christina Aguilera para Paper Mag

Apesar de ambas as revistas escolherem mulheres brancas e bem-sucedidas do showbusiness para entrar nesse tema, as sementes de autoestima lançadas pelos grupos pró-representatividade no meio da moda e da beleza começam a germinar numa nova temporada em que o bem-estar entra na conta do mood das criações de imagem.

Esse alerta é mais um sinal sobre o slow beauty, movimento em busca de uma beleza genuína nutrida de dentro pra fora com dermocosméticos ou mesmo produtos naturais, como alerta a maquiadora Didi Zaleski, docente do Senac Lapa Faustolo. “Apesar de a norma ainda ser a make pesada, vamos desconstruindo alguns vícios como o contorno e a sobrancelha supermarcados aos poucos, com bases fluidas, de cobertura leve”.

Afinal de contas, você ainda é você quando está indo dormir sem nenhuma maquiagem após um longo dia e, mesmo que não tenha tempo de conferir isso na frente do espelho, ainda pode celebrar sua beleza como um estado de espírito, como nos conta a maquiadora Amanda Schön, ex-aluna do Senac Santo André, reconhecida pela pele leve que prepara para campanhas e passarelas.

A artista Alicia Keys vem usando o mínimo de maquiagem possível desde 2016.

Beleza pra mim é bem-estar físico e emocional, estar absolutamente confortável quem você é. Não acredito que fiquemos bonitos quando nos impomos algum sacrifício, dor ou incômodo.

Amanda Schön

Apesar da preparação da pele ser leve, Amanda revela que trabalha bastante as etapas pré-maquiagem, como esfoliação e hidratação nas modelos. “A maior parte das vezes, quando estamos passando um creme no nosso corpo, pensamos apenas em eliminar o que vemos como ‘defeitos’. Para mim, esse é um momento de se cuidar e se nutrir com atenção”, reflete a maquiadora, enquanto continua “quando entramos nesse ciclo de amor-próprio, alcançamos o estado de beleza real e isso transparece”.

Simone Barcelos, mente por trás da Escola Madre e integrante do coletivo #ModaInfo 1.18, enxerga a pele natural como um símbolo de conquistas da mulher. “O conceito do belo deixa de ser o inatingível para fazer parte de uma rotina possível, focada em cuidar da pele com produtos que a beneficiem ao invés de simplesmente escondê-la”, avalia a empreendedora, que também ex-aluna do Senac Lapa Faustolo.

Recentemente, Amanda publicou um trabalho autoral feito por ela em parceria com o fotógrafo Hick Duarte e o criativo Gabriel Finotti, no ensaio Post Beauty, para o qual ela passou 6 horas desenvolvendo 28 belezas em si mesma utilizando produtos não-convencionais na própria pele, como canetas, giz de cera e glitter, as quais documentou por meio de scanner risográfico.

“Aceleramos a produção das belezas nesse trabalho para demonstrar os efeitos dos artifícios de beleza em longo prazo, além de termos explorado as possibilidades dessas ferramentas para expressão do eu, fizemos um alerta sobre a exposição a que nos submetemos diariamente sem se dar conta”, finaliza.

 

Foto em destaque: Desfile Osklen FW 18/ Fashion Snoops

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