Crise diminuiu o poder de compra de produto de moda do consumidor, que conserva consigo os hábitos do período das vacas gordas

 

Com o intuito de entender o real impacto da crise na decisão de compra de artigos de moda no Brasil, o IEMI (Inteligência de Mercado) divulgou o Estudo de Comportamento de Compra do Consumidor de Vestuário, que levou em conta 1.575 entrevistados de todas as faixas etárias, poder de compra e região do país.

O estudo mostra que, desde o último estudo publicado em 2014, período pré-crise, o Brasil saiu de um volume anual da ordem de 6,5 bilhões de peças, em 2014, para pouco menos de 5,8 bilhões no acumulado de 2016, um encolhimento das vendas de roupas no varejo interno de 11%.

 

Comprando menos, porém com budget maior

Apesar de as pessoas estarem comprando menos, estão gastando cerca de 25% mais, passando de uma média de R$ 237,00 para R$ 299,00 por compra. “Levando em conta a inflação do período, o que realmente puxou este gasto para cima foi o aumento no contingente de consumidores de renda mais elevada (poder de compra A e B), enquanto diminuíram os consumidores de menor renda, justamente os mais afetados pelos efeitos da recessão”, revela a pesquisa.

O preço competitivo foi mencionado como fator de compra mais relevante por 34% dos entrevistados, desbancando o bom atendimento, que em 2014 era o mais mencionado por metade dos consumidores.

Contudo, o estudo mostrou que o público aprendeu a consumir melhor durante os tempos de bonança, motivo pelo qual não abre mão de qualidade e design dos produtos, novidades, boa localização e ter roupa para toda a família. “Esses são justamente os pontos de maior atenção das lojas de departamento, cuja fatia cresceram 10% no período e vêm investindo fortemente na melhoria dos produtos, em coleções assinadas, no fast-fashion e um mix completo para todos os departamentos”, afirma a instituição.

Assim, mais da metade dos respondentes afirmam que a marca é preponderante no momento de compra, dando preferência às novidades. “Dentre os artigos escolhidos pelos consumidores em sua última compra observou-se um aumento na procura por produtos com apelo mais jovem, despojado, diferente, sexy ou romântico; enquanto que os produtos básicos, clássicos, sérios e tradicionais perderam atratividade e ficaram mofando nas prateleiras”, destaca Marcelo Prado, diretor do instituto.

 

E-commerces ainda são tímidos

Se, em 2014, os consumidores de vestuário que faziam compras pela internet eram menos de 10%, em 2017 são 14%. Mas em relação às roupas, o e-commerce é incipiente frente a outros produtos. O estudo mostra que, em 2017, o valor das vendas de roupas pelo e-commerce, no Brasil, ainda está na casa de 1,4% do consumo total, ou o equivalente a R$ 2,5 bilhões por ano . “Esta participação é baixa em relação à média dos países mais desenvolvidos, nos quais gira em torno de 3,5% das vendas a varejo. Este canal ainda tem muito a crescer no Brasil”, avalia Marcelo.

Shopping centers

Embora fosse esperado que, com a recessão, os consumidores abrissem mão dos shopping centers, onde os preços dos produtos de moda tendem a ser mais elevados do que nas lojas de rua, eles continuam a priorizar a conveniência e a segurança destes centros de compra. De meados de 2014 a meados de 2016, o número de shopping centers no País cresceu de 495 para 549, onde foram abertas nada menos que 7 mil novas lojas, que comercializam artigos de moda.
Ainda assim, nas cidades onde estes centros comerciais não existem, ou ainda são raros, as lojas do centro da cidade (de rua ou em galerias), mais baratas e com boa dose de conveniência, aumentaram em quase 40% a atração de consumidores com menor renda, revela o estudo.

Foto: Thinkstock

Comentários

Comentários