Evento dividiu as atenções com as polêmicas sobre a saída do Reino Unido da União Europeia

 

Responsável pelo pontapé inicial do calendário de lançamentos da moda internacional, o London Fashion Week Men’s dividiu os holofotes da segunda semana no ano com as discussões acaloradas na cidade sobre os termos do Brexit, marcado para março deste ano.

Na prática, as baixas de nomes de peso que o line-up da semana vem sofrendo desde o anúncio da saída da União Europeia, em 2016, como Alexander Mcqueen, Vivienne Westwood, Burberry e J. W. Anderson, falam também sobre a reação do mercado diante da iminência do acordo, ainda que as discussões entre a população e os parlamentares de lá às vésperas de sua concretude não nos permita ver muito adiante.

Assim, mesmo que não tenha havido menção direta à provável última edição do evento enquanto parte da União Europeia, os três dias de desfiles trouxeram reflexões sobre esse momento de incertezas, que no cenário global faz coro ao discurso da polarização e, de acordo com o portal Business of Fashion, custará caro ao trade local, uma vez que mais da metade dos players do Reino Unido exporta seus produtos para o exterior. 

Começamos pelo desfile da Charles Jeffrey Loverboy, cujo DNA underground chegou flertando com as personagens do Peter Pan e os garotos perdidos num cabaré alemão decadente dos anos 1920 para contar a história do seu inverno 19/20. A inocência de algumas estampas naïf coordenada com a extravagância dos adereços e bordados de materiais não convencionais nas peças de alfaitaria evocou o espírito transgressor de resistência dessas casas de espetáculos perseguidas pelo regime nazista na então República de Weimar.

Craig Green, o incensado estilista que até agora foi reconhecido pelo Fashion Awards como designer de moda masculina do ano três vezes, levou adiante seus estudos sobre a estética dos looks utilitários, implementando detalhes ornamentais como caminhos de crochê ou coletes feitos de viés, além do belíssimo trabalho de texturização do plástico para compor a segunda pele do que ele chamou de homem de vidro, uma metáfora do estilista sobre a fragilidade do masculino nos dias de hoje.

Assim como Craig Green, a estreante A Cold Wall fez do plástico uma armadura no desfile que falou sobre migração e xenofobia, mesclando o utilitário com a alfaiataria.

A discussão sobre segunda pele também veio forte na coleção da Xander Zhou, que pôs um pé na subcultura Furry ao colocar um sósia do Chewbacca na passarela, e, de uma forma divertida, na de Bobby Abley, que vestiu os modelos como pokemóns.

Veja a seleção dos looks feita pelo #ModaInfo:

Fotos: Fashion Snoops

Comentários

Comentários