Marca inglesa de prêt-à-porter anuncia apresentação das coleções feminina e masculina num só desfile. As peças estarão à venda imediatamente após o show

 

A Burberry anunciou hoje que, a partir de setembro deste ano, as peças das suas coleções poderão ser compradas imediatamente após serem apresentadas em seus desfiles, tanto nas lojas quanto on-line.

Além disso, a marca vai unir as coleções feminina e masculina em um só desfile que acontecerá duas vezes ao ano, em fevereiro e setembro, sem referência a uma estação climática específica, para atender aos seus clientes ao redor do globo, conforme Christopher Bailey, estilista e CEO da marca, revelou ao site Business of Fashion.

Tradicionalmente, as coleções prêt-à-porter são apresentadas nas temporadas de verão e inverno para, apenas seis meses depois, serem disponibilizadas para venda, tempo que, para o executivo, não atende mais à demanda do público, “a realidade é que, hoje em dia, somos bombardeados com imagens, filmes e música. Para tentar recriar a energia que você criou cinco ou seis meses atrás (no desfile), você tem que se questionar o quão relevante isso é agora”, afirma Bailey.

Em relação à reestruturação da cadeia logística necessária para garantir que as peças das novas coleções estejam à venda instantaneamente após os desfiles, o empresário relatou que não possui todas as respostas e que será a mudança será um processo de aprendizado para a marca, que no final de 2015 decidiu encerrar as linhas “Burberry London” e “Burberry Brit”.

O reposicionamento anunciado pela marca inglesa a aproxima, em timing de apresentação dos desfiles, à alta-costura e, em agilidade de entrega das peças aos clientes, ao fast fashion, enquanto levanta o questionamento sobre o atual espaço do prêt-à-porter no mercado da moda.

Para Renato Shibukawa, consultor de moda editor do Senac Moda Informação, a veia comercial dos desfiles da Burberry viabiliza a execução dessa mudança, “a aposta financeira na produção de uma coleção inteira para venda logo após o desfile coloca a Burberry numa posição de ‘ou vende, ou vende’, pondera.

O especialista também chama a atenção para a expectativa do mundo da moda em torno do que será apresentado pela grife em setembro, “para ser bem-sucedida numa mudança assim, a marca deve conhecer perfeitamente quem é o público dela, senão, decepciona e o prejuízo é certo”, analisa o consultor, que continua, “vamos ver se o grande investimento financeiro que essa operação demanda limitará o potencial criativo da marca”, finaliza Renato.

Fotos: Agência Fotosite

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