A pimenta é uma paixão antiga de Caito Maia, 47, proprietário da Chilli Beans, maior rede de óculos da América Latina. O empresário revela ter uma coleção com mais de mil espécies da planta, que já inspirou até o nome de sua antiga banda de funk, “Las Chicas Tienen Fuego”, da época que cursava música em Boston e nem sonhava em entrar no mercado de acessórios.

A bordo do CBFC (Chilli Beans Fashion Cruise), Caito conversou com a imprensa sobre o plano de expansão da sua marca, que possui 700 pontos de venda e deverá abrir mais 110 lojas até o final de 2016, além da parceira que firmou com o grupo AMC Têxtil, que controla labels como Colcci, Forum, Tufi Duek e Coca-Cola Jeans e viabilizará a estreia da Chilli no segmento do vestuário, projeto em que o empresário investiu R$2,5 milhões.

“A experiência do cliente na Chilli Beans é assim, a pessoa gosta tanto da marca que, sempre que passa em uma loja, compra 4 ou 5 peças sem querer. É isso que quero levar para a AMC”, explica Caito, cuja previsão de faturamento para sua marca em 2016 é de R$650 milhões.

Esbanjando simpatia durante todo o cruzeiro, quando não está fazendo selfies com o público do festival, Caito é visto circulando por todas as atividades na programação. Confere desfiles, palestras, aparece no comando das pick-ups junto ao DJ Alok e ainda divide palco com o músico Rogério Flausino no Superdose, evento direcionado aos seus franquiados. De onde ele tira energia? “Eu recebo muito amor das pessoas, são elas que me põem pra cima”, responde. 

Apesar da figura de rockstar, Caito declara que deve o sucesso da Chilli Beans apenas à sua disciplina. “Não inventei nada, apenas entrei num mercado já estabelecido no Brasil e coloquei uma roupa nova nele. Temos uma forte veia conceitual sem abrir mão do que funciona para o comércio”, revela o empresário.

No entanto, a história de Caito com a moda não é recente, teve início nos anos 90, quando começou a vender no Brasil óculos que comprava no exterior para seus amigos e conheceu Tufi Duek, seu primeiro grande cliente para, mais tarde, expor nas feiras do MMM (Mercado Mundo Mix), época que lembra com saudade, “foi lá que a moda brasileira surgiu. Num momento em que só se fazia a cópia, o MMM possibilitava a troca de informações entre todo mundo interessado em moda”, afirma.

Para Caito, é justamente o mix de atividades do CBFC que enriquece a experiência do público com sua marca. “Em que outro lugar você tem chance de dedicar três dias à moda, intercalando desfiles com palestras e festivais de música? A programação é intensa e proporciona a troca de contatos entre todos os presentes”, explica.

Polêmico, Caito ainda encerrou a coletiva de imprensa declarando que a Chilli Beans estava triste com a saída de Alexandre Herchcovitch de sua marca homônima e que a label nunca deixaria de trabalhar com o designer. Confira a entrevista que ele concedeu para o #ModaInfo na íntegra: 

 

A respeito do que você acabou de falar sobre a parceria do Alexandre Herchcovitch com a Chilli Beans, o que podemos esperar?

A gente pode esperar que essa parceria não vai acabar nunca, amamos o Alexandre.

 

Mas ela irá também para a linha de roupas?

Entendemos que a nossa parceria abrange tudo, absolutamente todas as iniciativas da Chilli Beans podem fazer parte dessa história. Eu não vou ficar longe do Alexandre e quero trazê-lo pra perto da Chilli Beans.

 

Então logo mais teremos assinatura do Alexandre para a coleção de roupas da Chilli Beans?

Possivelmente.

 

Sua marca tem mais de 15 anos de mercado. Por que só agora você decidiu entrar no segmento de vestuário?

Porque só agora eu senti força no parceiro, que é o grupo AMC. Eu nunca tinha sentido força numa proposta bacana antes.

 

O que o grupo te propôs de diferente?

Qualidade e experiência no segmento. Eu vou integrar um portfólio de marcas consagradas como Colcci, Fórum e Tuffi Duek, além do canal de vendas deles que é muito forte.

 

E como é que vai funcionar este canal de vendas?

Em lojas multimarcas. Será nas multimarcas de atacados que a gente vai colocar o nosso produto. Antes mesmo de entrarmos no mercado, já temos muitos pedidos.

 

Então a coleção de roupas só estará à venda no Brasil?

Só no Brasil por enquanto, exatamente.

 

Quantas coleções vocês lançarão ao ano?

Lançaremos 4 coleções ao ano.

 

E o ticket médio?

Nosso ticket médio fica entre R$130 e R$140. A gente quer fazer um ticket médio mais barato.

 

Você pode falar quanto investiu para entrar no segmento do vestuário?

Cerca de R$2,5 milhões para a gente começar e ver como será. Depois, o investimento será maior.

 

Você falou agora que a coleção de roupas será agênero, é isso mesmo?

Isso mesmo, vamos colocar no mercado brasileiro uma marca nova com DNA unissex.

 

Desfile grife Chilli Beans durante o Chilli Beans Fashion Cruise. (Foto: William Volcov/Brazil Photo Press)

Desfile da Chilli Beans durante o CBFC. (Foto: William Volcov/Brazil Photo Press)

 

Foto em destaque: Vanessa Carvalho

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