Dupla engajada em arte e feminismo vem conquistando seu espaço na cena brasileira

Quem visitou o SPFW (São Paulo Fashion Week) no último dia do evento, viu de perto o trabalho da cantora paraense Aíla em pocket show com projeções de imagens produzidas por sua esposa, a artista visual Roberta Carvalho, que capitaneou a galeria de sensações do #ModaInfo no começo do ano.

“Jamais pensei que eu, nascida na Terra Firme, periferia de Belém do Pará, estaria me apresentando no SPFW”, revela a cantora, que também desfilou no fashion show #todabelezapodeser, da Natura, com o foco na valorização da diversidade.

Aíla durante show no SPFW

Aíla durante show no SPFW

Casadas há 7 anos, Aíla e Roberta mantém parceria forte também no lado profissional. São sócias da produtora cultural 11:11 (um número importante para ambas, nascidas em novembro), por meio da qual agenciam suas carreiras e projetos, como o festival M.A.N.A. (Mulher, Artes, Narrativas e Ativismo), que aconteceu esse ano em Belém com o intuito pioneiro de debater a representatividade e o protagonismo da mulher nas artes e criar conexões, afetos e sororidade.

Artivismo

Dedicadas à construção de espaços de diálogo por meio da arte, ambas denominam seu trabalho como artivismo, uma mistura da poesia com política, que inspira tanto as canções de Aíla sobre resistência, quanto as intervenções visuais de Roberta, que já viajou o mundo com suas mostras, sendo dois projetos de destaque o Amazônia Mapping, de 2013, primeiro festival dedicado ao videomapping no Brasil, e o projeto Symbiosis, em exposição desde 2007, no qual a artista projetou rostos da população ribeirinha nas copas de árvores de terras griladas.

 

Texto Symbiosis

Já Aíla, que mistura ritmos como a guitarrada e o brega ao  rock e o eletrônico no álbum Em cada verso um contra-ataque, lançado em 2016, faz parte da safra de artistas paraenses que conquista fãs no país inteiro com uma sonoridade brasileira original, assim como Jaloo, já entrevistado pelo #ModaInfo, e Dona Onete, mestre do carimbó.

“Roberta se expressa sutilmente ao projetar os rostos dos ribeirinhos em árvores de terras tiradas dessa gente. Já eu sou escancarada, falo nas minhas letras sobre racismo, preconceito contra gênero. Uso minha arte para mudar o meu entorno”, explica Aíla.

 

Lesbigay

A cantora aproveitou o Dia Nacional da Visbilidade Lésbica, em 29/8, para lançar o clipe Lesbigay, dirigido por Vera Egito, que também fez o clipe Lalalá da Karol Conka.

A parceria com Vera começou com um post da Aíla reclamando sobre a invisibilidade das mulheres que fazem guitarrada no Pará, cena dominada por homens.

“Questionei o porquê das manas não terem visibilidade, apenas mestres homens, como Solano e Vieira, se destacam. O meu post gerou polêmica entre os músicos paraenses e a Vera me defendeu, disse que no cinema a situação é muito parecida. Adorei a fala dela e começamos a discutir um trabalho em conjunto”, explica Aíla.

Pará na moda

Sobre o fato do Pará estar na moda, servindo de inspiração até para novela das nove, Roberta enfatiza que “por um lado é interessante divulgar a cultura, por outro, é preciso ter um cuidado para não se deter na visão folclórica”, como a lenda do boto, pano de fundo para a história do folhetim e que, segundo ela, só reforça o machismo, “eu não reproduzo essa história de homem que engravida mulher e some”, conclui.

“O Pará estereotipado está na moda. Festivo, colorido e florido, com músicas sobre fuleragem (farra). No entanto, há muito mais sobre o Pará em termos de artes e política, para o qual eu quero dar espaço”.

Aíla

cantora

Até o final do ano, Aíla deverá lançar mais 4 clipes e Roberta fará a 3ª edição do Amazônia Mapping, que nesse ano acontece em Santarém, no Pará.

Para acompanhar o trabalho da dupla, clique nos links abaixo:

Aíla: https://www.facebook.com/ailamusic/

Roberta: http://www.robertacarvalho.art.br

11:11: https://www.facebook.com/onzeonzeprojetos/

Comentários

Comentários