A retração da economia no final de 2015 é tema de discussão nos corredores do Senac Moda Informação – Verão 2017

 

 

A edição de verão 2017 do Senac Moda Informação reuniu, em 24/2, mais de 500 profissionais da moda, entre empresários e estilistas de diversos cantos do Brasil, no Teatro Cetip, em São Paulo, com a missão de traduzir as tendências da estação mais quente do ano para coleções com alto giro nos pontos de venda para deixar para trás o período de retração econômica que o país atravessa.

 

Investimento em informação de moda

Carla Schneider Ballestrini de Oliveira, dona da Presságio Confecções, afirma que encontrou, na sofisticação de produtos artesanais, o seu diferencial para atender seus clientes no atacado, “investimos muito em materiais feitos à mão, únicos e com qualidade superior, pois sabemos que o que todo mundo faz não impressiona”, revela a empresária, “eu viajo duas vezes ao ano para a Europa para pesquisar tendências, mas é no Senac Moda Informação que tenho clareza do que vai dar certo por aqui”, explica.

Viviane Lopes, dona da marca Flight Level, de Santa Bárbara d’Oeste, especializada no segmento plus size, afirma que as clientes continuam comprando bem se as peças estiverem sintonizadas com as tendências “as mulheres plus size querem estar na moda, esse é o nosso diferencial, adequar as novidades à modelagem “plus” para que elas possam usar, nossa maior dificuldade tem sido substituir os tecidos importados”, afirma a empresária.

 

Números da crise

Em 2015, ano em que o dólar chegou a valer R$4, a ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil) registrou que as importações de têxteis e confeccionados tiveram queda de 17,4% (US$5,85 bi) e o setor de varejo de vestuário brasileiro encolheu 8% (6,45 bi de peças) contra a marca de 1,1% no ano anterior. A produção física do segmento do vestuário foi reduzida em 10%, contra a queda de 6,6% em 2014.

Para André Mesquita, que comanda a confecção de malhas em rolo Libélula, a queda do preço do barril do petróleo foi a tábua de salvação para a estabilidade do preço do seu produto, composto a partir de fibras sintéticas importadas. “Para nós, o que aumentou o preço dos tecidos foi o encarecimento dos serviços de corte, estampa e a mão-de-obra, inflacionados em até 15% com a crise”, relata o empresário, que frequenta o evento há dois anos.

Luciana Feitosa Thiago, representante comercial de lojas como Division, Local, Muriá, Lamar, localizadas no Brás, no centro de São Paulo, afirma que a informação assertiva vale mais do que nunca para o varejo, ” A indústria do vestuário está se voltando à mão-de-obra nacional e é necessário sermos criativos, pois não temos nem maquinário, nem aviamentos de qualidade como os da China. Por isso estamos aqui hoje, para encontrar novas soluções para a entrega de peças de qualidade e preço bom para o cliente final”, afirma a profissional.

“O ano passado foi muito difícil, praticamente reduzimos a produção pela metade, mas esperamos que a situação melhore até o fim de 2016”, afirma o estilista Evandro Brito da Silva, da Ônix Jeans, do Piauí, marca veterana no Senac Moda Informação “viajamos muito pelo Brasil e para o exterior para validar nossas criações, mas sempre voltamos ao seminário pela qualidade do conteúdo apresentado”, relata.

 

Saiba mais:

Senac Moda Informação confirma tendências do Verão 2017