Estilista participa do Senac Moda Informação 2.18

Homenageado com a exposição Entrelinhas pela turma do curso Técnico em Produção de Moda do Senac Lapa Faustolo e presença confirmada no #ModaInfo 2.18, o estilista recifense Gustavo Silvestre começa a nossa entrevista falando que a sua relação com a instituição é antiga.

“Eu comecei a estudar moda no Senac do Recife, em 98. Que volta que eu dei, né?”, reflete ele sobre a ocasião em que voltará ao Senac para contar detalhes da sua trajetória de sucesso incomum no meio fashion.

Exposição Entrelinhas, realizada
no Senac Lapa Faustolo em julho/2018

Mente por trás de um dos desfiles mais inspiradores da última edição do São Paulo Fashion Week, o do Projeto Ponto Firme, Gustavo exibiu ao mundo uma seleção de looks de crochê atemporais, extremamente difíceis de copiar e desenvolvidos em coletivo por presidiários de SP, uma verdadeira antítese à moda convencionalmente aplaudida dentro e fora das passarelas.

Esse trabalho, fruto da sua atuação como docente voluntário na Penitenciária Desembargador Adriano Marrey, em Guarulhos, desde 2015, simboliza o marco do percurso de auto-descobrimento do estilista talentoso revelado pela Casa de Criadores nos anos 2.000, que decidiu romper com a moda após conhecer pessoalmente as rotinas das fábricas de roupas na China, e, hoje, é mais reconhecido como artesão.

Desfile Projeto Ponto Firme, na SFPW

“Conforme eu comecei a fazer desfiles e fui crescendo, fui aconselhado a buscar alternativas para o alto preço das minhas coleções, criadas artesanalmente”, relembra Gustavo, que continua, “quando fui pra China, em 2009, em busca de preços mais baratos, vi de perto a quantidade de lixo gerada pela indústria da moda e decidi parar. Não queria fazer parte disso”.

Paralelamente ao momento de pausa na carreira, Gustavo saiu pelo Brasil em busca de comunidades de artesãos para aprender técnicas manuais e, diante das diferentes realidades que encontrou pelo país, percebeu que o poder de propagação da moda poderia contribuir com esse setor muitas vezes invisibilizado, incentivando as pessoas a valorizarem as produções locais.

Foi nessas andanças que aprendeu a técnica do crochê e percebeu que poderia continuar criando moda sem fazer parte da lógica de produção em massa da indústria, ao mesmo tempo em que resgatava um saber presente nas suas memórias de infância.

“Desde pequeno eu via as mulheres da minha família aprontando enxovais com peças em crochê e bordado como um legado que ultrapassa gerações. É assim que eu me vejo hoje”, afirma.

Avesso ao calendário de lançamentos da moda, Gustavo realiza hoje seus trabalhos sob encomenda no ateliê compartilhado da Casa do Povo, no Bom Retiro, sem classificá-los por coleção. Dentre as famosas que vestem suas criações, estão as cantoras Karina Buhr e Pitty.

Confira o episódio de estreia da série designers brasileiros, que gravamos com Gustavo em seu ateliê:

 

Fotos: Divulgação

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