Novo posicionamento de marca da multinacional causou polêmica nas redes sociais

Desde que a primeira propaganda fruto da parceria com a AlmapBBDO com a multinacional holandesa foi veiculada no Brasil, muitas são as polêmicas que envolvem os signos expressos em sua mensagem. Afinal de contas, a brusca mudança do mote “tá bombando, tá na C&A”, um endosso claro ao impulso de compra motivado pelas tendências de moda, para “tudo lindo & misturado”, a valorização dos ícones multiculturais presentes no estilo de cada indivíduo, pegou o público desprevenido.

A gigante do fast fashion conseguiu chamar a atenção de quem não estava ligado na marca ao abraçar em seu discurso  questões efervescentes no mundo da moda, como a quebra da relação binária de gênero, presente na imagem discreta do rapaz escolhendo um vestido para si, ou da garota vestindo uma cueca, além dos diferentes tipos de beleza para a composição do casting. Só faltou mesmo chamar um modelo plus size para a mensagem body positive ficar redonda.

A campanha também trouxe consigo um perfume de empatia e tolerância com as escolhas do outro, algo tão em pauta em tempos de cabos de guerra políticos e sociais. E não deu outra, todo mundo foi conferir a coleção nova nas lojas.

Eis que começaram a pipocar na internet depoimentos de clientes, anônimos ou não, acerca de detalhes que não correspondiam ao espírito da campanha nos pontos de venda. O primeiro, e mais notório, é insistir na modelagem que não acompanha a sugestão de uso das peças por ambos os sexos, além da questionável divisão das peças da coleção entre feminino e masculino nas araras.

Em resposta a esse ruído entre campanha publicitária e produto no ponto de venda, o departamento de marketing da marca sinaliza que “a campanha mostra sua nova visão sobre a moda, celebrando esse universo como uma forma de expressão e comunicação sobre a moda e esse mundo de possibilidades, não uma coleção sem gênero”. Mas então tem de haver possibilidades para todos os corpos, certo?

A marca, que desde então já divulgou iniciativas sustentáveis para as linhas infantis e de jeanswear, como algodão que demanda menos quantidade de água ou de agrotóxicos para confecção dos tecidos, entra agora na primeira data importante para o varejo após essa mudança de posicionamento, o dia das mães.

Novamente, a campanha acertou ao abordar, entre outras coisas, a relação que a moda tem com o vínculo entre mãe e filha, já que, para muitas, a figura materna é o primeiro modelo de beleza a ser seguido, independente dos pontos de vista divergentes entre as gerações.

Resta agora ficar de olho nas próximas ações da marca para saber se os ajustes necessários serão feitos. Caso contrário, todo o seu trabalho de comunicação se esvaziará de conteúdo.

Foto: reprodução

 

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