Instigados a estimular a visibilidade e a valorização da pluralidade cultural e intelectual dos profissionais negros na moda, o trio de estudantes Deise Bergamo, Glauber Ribeiro e Paloma GS Botelho da pós-graduação em Styling do Senac Lapa Faustolo dedicaram sua pesquisa de conclusão de curso a decodificar sua inserção no meio.

No início, eles mapearam sete títulos de revistas brasileiras de grande circulação no segmento que estamparam mulheres de pele preta em suas capas para contabilizarem o número de profissionais negros envolvidos na ficha técnica. Ao final da contagem,  descobriram que, dos 38 profissionais nos boards das publicações, somente dois eram negros, sendo ambos maquiadores.

“O resultado da nossa pesquisa não foi surpresa para mim, apenas confirmou a necessidade de falar sobre racismo nesse meio pois, por mais que haja negros nas passarelas, quase não os vemos no backstage, na criação e no jornalismo”, avalia Paloma, que também discorreu sobre a invisibilidade do negro na moda em seu artigo para o Estadão.

Essa falta de representatividade da identidade mestiça do povo brasileiro nas publicações de moda identificadas por eles não é, em si, uma novidade, mas ainda assim, a oportunidade de criar conteúdos voltados ao entendimento da ocupação do corpo negro nesse espaço motivou o trio a produzir o livro e o documentário Afro: Presente, Passado e Futuro para conclusão do projeto.

Assim, o grupo foi às ruas de São Paulo conhecer e fotografar o pessoal negro que está movimentando a cena cultural e fashion. “Além de dar protagonismo a essas pessoas, nossa intenção foi mostrar a existência dos corpos negros em diversos espaços, não somente na cartografia da cidade, como também no mercado de trabalho”, destacaram os alunos, que pretendem captar recursos para publicar seu livro com as sessões de streetstyle realizadas.

Já na etapa do documentário, o trio entrevistou 12 profissionais, entre empreendedores, estilistas, modelos, stylists e maquiadores, prestando uma homenagem ao legado afro-brasileiro. “A moda ainda pauta a beleza negra pelo viés estético, muitas vezes deixando de lado o identitário. Nesse sentido, buscamos conhecer quem são e o que pensam profissionais de diferentes espaços e gerações em atuação nesse mercado”, reflete Paloma, que finaliza, “a valorização das diversas matrizes identitárias afro também tem de ser intelectual e refletir em oportunidades profissionais para o negro”.

Por enquanto, o trio busca patrocínio para viabilizar uma tiragem do livro. Clique aqui para conhecer mais sobre o projeto.

Assista à primeira parte do documentário, cuja conclusão deve ser veiculada no canal dos meninos até o final de janeiro:

 

Imagem em destaque: Divulgação

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