Resgate da diversidade e ancestralidade em foco na Galeria de Sensações do #ModaInfo 2.18

 

Quem se lembra dos doces da infância em dia de São Cosme e Damião guarda na memória o sabor dessa data que homenageia os irmãos gêmeos santificados pela igreja católica que protegem as crianças.

Também conhecida como Ibejis nas religiões de matriz africana, ou orixás crianças, a dupla representa para elas tanto a dualidade da vida quanto tudo que se inicia na terra, como a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos e o germinar das plantas.

Essa memória afetiva pegou em cheio a pesquisadora carioca Rafa Joaquim, do Coolhunter Favela, responsável por armar a Galeria de Sensações do #ModaInfo 2.18, que aconteceu em 4/10, e serviu de ponto de partida para o fashion shooting da edição, um editorial executado ao vivo durante o evento com a presença dos participantes nos bastidores.

“A proximidade das datas de celebração do dia das crianças, de homenagem aos santos e do evento nos trouxe o insight de pesquisa sobre a tendência de resgate da nossa ancestralidade. Hoje em dia, a maioria das pessoas nas comunidades do Rio de Janeiro são evangélicas e desconhecem a origem dessa história, então a gente a resgatou para o #ModaInfo como um exemplo sobre pluralidade de ofertas de conhecimento”, analisa Rafa.

Diferente de muitos influenciadores digitais da geração Y, que ostentam nas redes sociais uma realidade que nem sempre é a sua, a galera do Coolhunter Favela vai fundo no cotidiano dos subúrbios cariocas afastados do cheiro da maresia, como Madureira, Tijuca e Cidade de Deus, que, longe dos holofotes, produzem e consomem a própria cultura e, claro, a própria moda.

Nesse sentido, cores açucaradas entram em ação no editorial para fazerem as vezes dos tradicionais docinhos distribuídos nesse dia de festa, capturando sua atmosfera lúdica em looks pintados a mão que carregam em si alguns detalhes de fantasias, numa homenagem à potência criativa das crianças e, mais além, das comunidades periféricas que hoje são pesquisadas pelos birôs internacionais como laboratórios de inovação a céu aberto.

A necessidade de reconexão das pessoas com a própria história, condensada no editorial, foi também sinalizada no #ModaInfo nas macrotendências estéticas da temporada pela coolhunter Andrea Bisker, da Styllus, que interpretou a redescoberta das tradições e artes artesanais do nosso povo como um meio de ressignificar do nosso entendimento sobre o passado, uma característica curiosamente presente no trabalho de criadores inquietos, como o estilista Gustavo Silvestre, que também marcou presença no evento.

Confira o shooting da Galeria de Sensações do #ModaInfo 2.18:

“Deixa os garoto brincar!”
Já anunciava a montagem nos clássicos bailes de corredor.
Os cinco minutinhos de alegria.
A rua.
O corpo.
O outro.
A explosão.
O prazer.
O êxtase.

Os subúrbios, periferias, favelas, margens.
São lugares que confrontam a noção branca, clássica e sisuda de dentro e fora.
Público e privado.
Meu e seu.
O que é de Damião, a patota de Cosme protege e Doum guia.

As fronteiras são como brincantes.
O que move o mundo é gargalhada de Erê.
E quem carrega essa certeza no peito, faz da rua sua casa.
Sagrada.
Sua.
Minha.
Nossa.

Oni Ibejada!

 

Expediente:

Direção criativa
@rafajpina

Direção de Arte
Victor freire
@jesenra

Styling
@rainhafavelada

Direção gráfica
@caas.g

Make
@mikasafro

Foto
@takeuchiss

Galeria: Cosme e Damião no fashion shooting da Galeria de Sensações do #ModaInfo 2.18

Comentários

Comentários