Ofício é tema do mais novo lançamento da Editora Senac Ceará

 

A relação de Eduardo Motta com a moda vem da infância, quando, na alfaiataria de seu pai, em Minas Gerais, brincava entre os fardos de tecidos e apetrechos de costura. Esse laço é resgatado por ele, que já atuou como estilista, consultor e crítico de moda, em seu mais novo livro, Alfaiatarias: radiografia de um ofício incomparável, publicado pela Editora Senac Ceará, em que percorre o desenvolvimento dessa arte desde o período vitoriano até os dias atuais.

“Onde tem alfaiataria, tem excelência. Esse ambiente é para mim muito afetivo, sempre observei o rigor em torno dele”, afirma o escritor, que buscou em sua obra aproximar esse ofício do público não iniciado, trazendo entrevistas com grandes nomes na moda brasileira, como os estilistas João Pimenta e Mário Queiroz, além da alfaiate britânica Kathryn Sargent, primeira mulher a abrir um ateliê na consagrada Savile Row, em Londres, e jovens talentos do ramo, como Maurício Placeres, uruguaio radicado em Porto Alegre, e a mineira Bárbara Santiago.

Dessa forma, às figuras quase dândis de Conde d’Eu e Machado de Assis, características da nossa “Belle Époque tropical”, e ícones de estilo como Marlene Dietrich e Coco Chanel, Eduardo soma referências de pessoas comuns trajando ternos em ocasiões cotidianas ao longo do tempo.

“O terno impõe respeito, é um instrumento de diferenciação. Por isso discordo dos estudiosos que afirmam que sua adoção na moda masculina configurou uma renúncia à vaidade. Para mim, foi uma estratégia estética de dominação”, avalia o autor, para quem a alfaiataria trouxe ao homem industrial uma nova possibilidade de armadura, destacando seus atributos físicos, enquanto lhe conferia agilidade.

De olho no contemporâneo, Eduardo também desenvolve estratégias de decodificação do trabalho de nomes consagrados nesse ofício, como Tom Brownie e Rei Kawakubo. Ainda há, ao final do livro, um exercício de construção de um casaco bar em tecidos modestos, como chita, moleton, renda e linha com viscose. “Elaboramos um faça você mesmo casual, pra encorajar o público a se aproximar da arte da alfaiataria. Penso que as pessoas precisam sentir que podem fazer, senão sempre associaremos o alfaiate a um pobre velhinho parado no tempo”.

Saiba mais sobre o livro acessando o site da Editora Senac

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