Coolhunter fala ao #ModaInfo sobre o seu estilo e geração tombamento

 

O look Barbie escolhido por Magá Moura para desfilar sua coleção Closy na passarela da Casa de Criadores é inspiração pura pra quem acompanha o estilo divertido e extravagante da coolhunter nas redes sociais, que começou a gostar de moda ainda na infância, produzindo as roupas das suas bonecas com a ajuda da mãe, que é costureira.

A baiana, também conhecida pelos seguidores como Clotilde, rainha do closy, estudou relações públicas em São Paulo e ficou famosa mundialmente em 2014, quando seu estilo chamou a atenção de todos os veículos de moda presentes na LFW (London Fashion Week), a qual acompanhava depois de uma temporada de estudos por lá.

Desde então, Magá comenta em seu blog as tendências de lifestyle que observa em suas andanças pelo globo e é referência para quem quiser entender o fenômeno da geração tombamento, que desafia padrões de beleza e estilos de vida usando estética como politica, além de ser a menina dos olhos de diversas marcas interessadas em abraçar a diversidade.

Sobre isso, a coolhunter dispara, “ainda estamos na fase de perceber os espaços. Eu criei o blog na época que ninguém falava sobre empoderamento, mas hoje é o novo P do marketing”.

Magá será a mediadora do próximo #ModaInfo, que acontece em 25/10, na casa Natura! Confira a entrevista cedida por ela ao #ModaInfo:

 

Magá, você parece uma boneca! Alguma boneca te inspirou na construção do seu estilo?
Que bom! Quando eu era criança, não havia essa diversidade de bonecas que a gente tem hoje, né. Então eu tinha várias Barbies, gostava de deixá-las bem closeyras, nem reparava na questão da cor de pele delas. Minha mãe, que é costureira, fazia a gente costurar as roupinhas pra elas parecidas com as que a gente via em revistas.
O meu estilo é lúdico, gosto de coisas infantis e uso brincos de boneca por eu ser alto-astral, fora da caixinha. Não quero usar o que todo mundo usa.

 

Por isso você está sempre mudando seu visual
É, um exemplo é a brincadeira que eu faço com as perucas. Não é que eu queira ser uma pessoa nova a cada dia, mas apenas me divertir com tudo isso, quero ter todos os cabelos possíveis, me ver de todos os jeitos. As pessoas estão acostumadas a ver a própria cara igual todo santo dia. Que tal mudar?

 

Você costura também?
Não muito, apesar de ter ótimas noções de costura, tecidos, acabamentos e customizar minhas roupas. Por isso, aproveito oportunidades de comprar roupas que são até três vezes o meu tamanho para estilizar depois.

 

O que você trouxe pra coleção que assina com o Isaac Silva?
Trouxe o rosa, minha cor favorita e os brilhos. Criamos looks simples, com modelagem bacana, tamanhos diferentes, oversized, despojado.A coleção chama Closy porque é uma palavra que eu uso muito. Costumo dizer que sou a Clotilde, rainha do closy, e meus seguidores me chamam de Clô. Eu acho isso mara, já até perdi meu nome mesmo.
Desde fevereiro, estou viajando pra fora do Brasil de olho no que via nas ruas e somar com o trabalho do Isaac, que pesquisa a geração tombamento. Pra mim foi muito bacana ser uma coolhunter e trazer referências pra minha própria coleção.

 

Como coolhunter, qual é o seu olhar pra esse momento de empoderamento?
A valorização da autenticidade é global. Estamos cansados de ver pessoas iguais que não transbordam, seguem o padrão, usam mesma bolsa, mas cadê o diferente? A mesmice cansa.
Fui reconhecida no Brasil depois que saí em todos os veículos possíveis na LFW. Fui pra Londres pra estudar e meu estilo chamou a atenção por lá, eu era parada nas ruas para ser elogiada, diferente daqui, que percebo que incomodo os outros por não estar nos padrões.

 

Você sente isso?
Eu não sinto isso, porque pra mim o julgamento dos outros não importa. Mas percebo sim e não ligo.

 

Mas essa postura preconceituosa do brasileiro tem mudado com a midiatização do tombamento?
O tombamento é valorizado na mídia, mas quando a gente sai na rua, ouve comentários que agridem. Eu não estou preocupada com isso, estou feliz comigo e isso é o mais importante, pois é o primeiro passo pra eu ter o amor de quem realmente me interessa.

 

Com isso em vista, dá pra fazer um paralelo da época atual com o movimento black power?
Sim, estamos percebendo os espaços em busca de representatividade. Eu saí do mundo corporativo e criei meu blog numa época que ninguém falava sobre empoderamento. Hoje, empoderamento é o novo P do marketing, virou um nicho de mercado. Acho importante ter produtos desenvolvidos para nós, somos público para tudo.

 

Participe do #ModaInfo 2017 ed.2:

25outalldaySENAC MODA INFORMAÇÃO 2017 ED.2(Dia todo: quarta-feira) Casa Natura Musical

 

Foto: Agência Fotosite

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