Jefferson de Assis, coordenador do Projeto Referências Brasileiras, exibido no INSPIRAMAIS, falou ao #ModaInfo sobre o carimbó, seu tema para o Inverno 2017, a falta de heróis no mundo e o sentimento geral de incerteza. Segundo ele, apesar de o fast fashion vestir o brasileiro, não acontece para calçados.

Jefferson de Assis

Jefferson de Assis

Onde vocês buscam inspiração para saber o que será tendência?

Nosso núcleo é coordenado pelo Walter Rodrigues e composto por designers, estilistas e profissionais de marketing, logística e economia. Preparamos nosso briefing em conjunto e também nos norteamos a partir do que é discutido nos encontros do Sistema Moda Brasil.

O que chamou a atenção para o verão 2017?

Nessa edição, por exemplo, partimos do princípio de que o mundo está sem direções. Não temos ícones políticos, há estranhamentos recorrentes nas relações sociais e ambientais. Ao mesmo tempo, notamos grupos engajados, se esforçando para fazer acontecer. Para janeiro, trabalhamos muito no mito do herói, justamente por captarmos esse momento de insegurança global.

As passarelas europeias não te influenciam?

Estamos atentos sim ao que é tendência lá fora, mas nosso trabalho é instigar nos designers o desejo de buscar o Brasil nas suas criações. Assim, a Europa nos serve de repertório, não de base. Por exemplo, previmos que o minimalismo seria muito forte para o próximo verão, então captamos nos projetos de arquitetos brasileiros o traço minimalista. Queremos que o designer tenha esse olhar: se a estação pede floral, que ele pesquise as nossas flores.

Como as tendências entram no Projeto?

No Projeto, apresentamos as tendências elencadas como pirâmide, em que a base, ou 60%, são conteúdos massificados, que não surpreendem os clientes, mas que eles esperam encontrar à venda. Os produtos experimentais ou especiais, ficam no topo, representando 10% da pirâmide e os outros 30% são a aposta de ultramega fashion da temporada.

Por mais que o trabalho de vocês não se restrinja à onda do momento, ela compõe a base da pirâmide que você está falando

Sim, até para construir a cartela de cor, indicamos dez cores especiais, dez cores ultramega fashion e mais dez para massificar. Por exemplo, para o verão de 2015 indicamos uma cor muito próxima ao marsala como especial que, apesar de ter sido superpropagada na mídia, ainda encontramos pouco nas lojas. Neste momento, o Marsala está no meio da nossa pirâmide, mas em 2016 ele já entra massificado.

Apesar de a ASSINTECAL representar principalmente a indústria calçadista, as ideias apresentadas por vocês abrangem outros nichos do mercado de moda. Há sintonia entre esses setores?

Por conta da representatividade da ASSINTECAL, há essa preocupação sim, mas como nem todos os associados estão neste setor, as informações são pensadas para o benefício dos outros nichos também.

Entendemos que a mesma empresa que produz couro para os calçados atende confecção e mobiliário e, desta forma, a produção é um pouco casada se avaliarmos cores e texturas.

As tendências para calçados duram mais do que as de vestuário?

Sim, pois o tempo de produção de um calçado é mais demorado, para lançar um novo modelo de sapato no mercado quase sempre é necessário se rearticular com os fornecedores e há trabalhos que precisam de maquinário não-convencional numa fábrica.

Por isso, o fast fashion de sapatos não é realidade no Brasil, algumas empresas até tentam trabalhar assim, mas o calendário de lançamentos ainda é semestral por aqui, diferente das cadeias de fast fashion para vestuário, em que há agilidade para, em dois dias, montar uma peça piloto para prova e, duas semanas depois, colocar essa novidade para o consumidor nas lojas.

Em qual coleção vocês estão trabalhando agora?

Na Inverno 2017, em que nosso ponto de partida era algo provocante, com rotação e ritmo. Eu identifiquei tudo isso no carimbó, estilo de dança e de música paraense, então fomos ao Belém pesquisar sua tradição e agora vamos trabalhar nele.

Como essa referência chegará na moda?

Então, eu estou justamente trabalhando nisso, então não posso te adiantar, mas, no carimbó, a pele é muito forte, os meninos quase não usam camisa, o suor verte pela pele o tempo todo, a saia das meninas é rodada e mostra as pernas. O movimento da dança é o cortejo à mulher.

Qual sua previsão de desenvolvimento do tema para o Inverno 2017?

Agora eu vou visitar os fornecedores para buscar estampas e materiais que dialoguem com essas referências, as encomendar e produzir os protótipos do que será exposto em janeiro, pois, apesar de o próximo INSPIRAMAIS abordar o verão 2017, nós já apresentaremos uma prévia do inverno

 

Foto: Divulgação

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