Mostra dedicada inteiramente à obra da artista acontece em paralelo à da arquiteta Lina Bo Bardi no museu

Figura central do modernismo brasileiro em sua primeira fase, a partir dos anos 1920, Tarsila do Amaral (1886-1973) ganha sua primeira mostra no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) a partir de 5 de abril.  Intitulada Tarsila popular, a expo reúne cerca de 120 obras da artista, entre pinturas e desenhos.

A abertura de Tarsila popular será simultânea à da exposição Lina Bo Bardi: Habitat, sobre a arquiteta ítalo-brasileira que projetou, entre outros, o edifício que abriga o MASP.

As mostras integram o ciclo “Histórias das mulheres, histórias feministas”, eixo temático que guiará a programação da instituição ao longo de 2019 e está em sintonia com as discussões levantadas pelo #ModaInfo sobre a ascensão do movimento feminista desde a primavera de 2015.

O “popular” do título refere-se tanto ao recorte da obra de Tarsila, pelos curadores, como ao programa de revisão da produção de nomes centrais do modernismo brasileiro, empreendido pela atual direção artística do MASP. Em 2016, por exemplo, o museu realizou Portinari popular, uma seleção de trabalhos de Candido Portinari (1903-1962) relacionados com a cultura popular brasileira. Assim como Portinari, a obra de Tarsila está na base da construção de uma identidade nacional nas artes, ao lado de nomes como Lasar Segall (1891-1957) e Anita Malfatti (1889-1964).

Sem abdicar por completo da matriz modernista europeia e formal da qual fez parte, Tarsila voltou-se para personagens, temas e narrativas ligados ao popular no Brasil. Esse aspecto se manifestou em diversos trabalhos, como é possível observar em suas cenas de Carnaval, favelas e feiras ao ar livre, além da relação de sua obra com a religiosidade e, ainda, com as lendas populares e indígenas — caso das obras “A cuca” (1924), “Abaporu” (1928) e “Batizado de Macunaíma” (1956).

 

Algumas obras presentes na exposição: 

“A exposição e o catálogo que a acompanha pretendem promover reflexões mais abrangentes sobre Tarsila, articulando sua vida e obra no contexto de uma visão política, social e racial da cultura brasileira e do modernismo — um movimento que, no Brasil, raramente é abordado sob esses prismas”, diz Fernando Oliva, curador da exposição.

Nascida em uma fazenda no interior paulista, em 1886, Tarsila fez parte da aristocracia brasileira. Estudou as técnicas acadêmicas tradicionais na Europa, onde conviveu com pintores como André Lhote (1885-1962) e Fernand Léger (1881-1955). Desse período, chamam atenção retratos que já apontavam para uma ideia de modernidade — na pincelada, na
representação não-realista e na tentativa de captar o emocional dos modelos –, como em “Autorretrato com vestido laranja” (1921).

Apesar disso, foi ao voltar ao Brasil, em 1922, que Tarsila aderiu às ideias vanguardistas europeias, incorporando-as à sua maneira de representar o Brasil. Foi apresentada por Anita Malfatti ao escritor Mário de Andrade (1893-1945), ao futuro marido Oswald de Andrade (1890-1954) e ao poeta e pintor Menotti del Picchia (1892-1988), formando com eles o Grupo dos Cinco.

Guiados pela ideia de encontrar e definir uma arte “verdadeiramente nacional”, os cinco fizeram uma viagem de redescoberta do país pelas cidades coloniais mineiras, acompanhados pelo poeta franco-suíço Blaise Cendrars (1887-1961). Dessa expedição, resultaram desenhos de observação de Tarsila que estarão na mostra.

Fotos: Divulgação/ MASP

Serviço:

De 5 de abril a 23 de junho de 2019
Local: 1º andar Endereço: avenida Paulista, 1578, São Paulo, SP
Telefone: (11) 3149-5959
Horários: quarta a domingo: das 10h às 18h (bilheteria aberta até as 17h30); terça-feira: das 10h às 20h (bilheteria até 19h30)
Ingressos: R$ 40 (entrada); R$ 20 (meia-entrada)

O MASP tem entrada gratuita às terças-feiras, durante o dia todo.

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