Idealizado pela estilista Michele Simões, trabalho é fruto de parceria entre alunos de pós-graduação em moda

 

 

Bárbara Barros é estudante de jornalismo e possui baixa visão congênita

Bárbara Barros é estudante de jornalismo e possui baixa visão congênita

Apesar de a reivindicação à representatividade estar mais em voga do que nunca na sociedade, uma simples consulta a qualquer editorial fashion confirma que a moda ainda trabalha para os mesmos corpos altos e magros de sempre. Mas quem se identifica com esse modelo de beleza?

Essa pergunta é o questionamento principal que a estilista Michele Simões promove em seu minidocumentário Meu Corpo é Real, que aborda a relação das pessoas com deficiência com a imagem reproduzida pela moda. Nele, Michele, que se tornou cadeirante após sofrer um acidente em 2006, conta a dificuldade de se ver representada em seu próprio meio.

 

Ravelly Silva e Bruno Favoretto são jornalistas. Ela, amputada, e ele, cadeirante.

Ravelly Silva e Bruno Favoretto são jornalistas. Ela, amputada, e ele, cadeirante.

“Nós (pessoas com deficiência) somos invisíveis para a moda, por isso o projeto se chama #meucorpoéreal. A gente existe e consome”, explica a estilista, que continua, “eu vejo que o design de moda tem potencial para abranger as diferenças dos corpos, tanto em relação ao produto, quanto às experiências dos consumidores com as marcas. Não há porque segregar”, acredita.

Michele revela que foi o próprio caso que despertou seu interesse sobre a relação do corpo com a moda, apesar de sempre ter almejado trabalhar com criação de imagem. “Antes do acidente eu tinha uma visão superficial sobre o assunto, mas, ao conseguir me arrumar sozinha pela primeira vez após a reabilitação, eu resgatei minha autoestima e, finalmente, entendi a força que moda pode ter na vida das pessoas”, explica.

A consciência do empoderamento por meio da imagem também motivou a estilista a unir profissionais de moda e beleza para um dia de workshop em centros de reabilitação de pessoas com deficiência,  o Fashion Day Inclusivo, que já aconteceu em duas edições em São Paulo.

Trabalho em equipe

Além do filme, produto do TCC da Michele em Comunicação e Cultura de Moda, na Faculdade Belas-Artes, foi realizado um editorial fashion em parceria com Emerson Meneses e Fernanda Barros, alunos da pós-graduação em Criação de Imagem e Styling de Moda, do Senac Lapa Faustolo.

“Para a produção, eu pedi ao Emerson Meneses, stylist e diretor de arte do projeto, algo bem conceitual e lúdico, que desafiasse a construção impositiva de modelo de corpo na moda”, explica a estilista.

A integração entre as faculdades aconteceu por intermédio da professora Jô Souza, coordenadora de ambas as turmas, “estimulamos o trabalho em equipe e o intercâmbio de conhecimentos e ideias para criar uma atmosfera colaborativa, que é o que falta no mercado”, afirma Jô.

 

Fotos: Marco Maia

 

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