Cenário promissor da moda plus size empolga, mas é preciso ter empatia com o público, avalia profissional

 

Empresária à frente da principal feira de moda e cultura plus size do país, Flavia Durante, 41, criadora do Pop Plus, divide hoje seu tempo entre realização da curadoria das marcas que expõem no evento e palestras sobre empreendedorismo e empoderamento, atividades que pausou na tarde de ontem para conversar com a gente sobre  trabalho e propósito.

“Apesar de falar diretamente às mulheres gordas, há pessoas fora desse perfil que me procuram também por se interessarem pela minha história empreendedora, outras que se identificam comigo pela faixa etária. Acabo representando várias frentes do protagonismo feminino atual no mercado”, reflete Flávia no início da nossa entrevista.

Segundo dados de 2016 da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), o mercado nacional de moda plus size cresce 6% anualmente, movimentando cerca de R$5 bilhões no atendimento de cerca dos 60% de brasileiros com medidas grandes.

“A partir do tamanho 46, já consideramos a peça como plus size, sendo que a maioria dos atacadistas trabalha até o 52. Ultimamente, temos dado mais atenção para quem trabalha com uma grade acima do tamanho 60 também”, avalia Flávia.

E assim, o Pop Plus, que começou em 2012 reunindo apenas seis marcas num espaço do bairro do Bexiga cedido por uma amiga, movimenta atualmente mais de 12 mil pessoas em busca das novidades dos cerca de 75 expositores que passam por lá em cada uma das quatro edições anuais no Club Homs, região central de São Paulo.

Formada em jornalismo na cidade de Santos, sua terra natal, no litoral de São Paulo, Flavia lembra que que foi no período da faculdade que começou a produzir eventos. “Eu armava festivais de música por lá como uma forma divulgar as bandas dos amigos e de termos opções na noite local, sempre gostei dessa área”.

Sua aproximação com a cena cultural abriu as portas para ela no portal Vírgula e, mais tarde, aos veículos TRIP e TPM, onde, já como editora, convidava blogueiras gordas para participarem das reuniões de pauta. “Já que eu tinha esse privilégio de me comunicar com um número grande de pessoas, eu o aproveitava para discutir a visibilização da mulher plus size. Nunca acreditei que precisávamos nos esconder”, relembra.

Variedade com qualidade  

Em seis anos de evento e palestras, Flavia observa que o mercado de moda tem ampliado sua oferta para as pessoas gordas, mas ainda há muito a se conquistar. “Hoje temos opções fashion, porém a pessoa gorda ainda precisa ser compreendida em sua complexidade, precisamos de móveis maiores, assim como roupas de banho e acessórios”, ressalva Flávia, que acrescenta que os segmentos masculino, moda festa e esportivo também sofrem com demanda reprimida.

A demanda reprimida deve ser encarada como oportunidade. Dados de 2016 do Sebrae estimam que apenas 17,5% do varejo brasileiros venda roupas grandes, sendo que somente 3,5% das lojas são especializadas em moda plus size.

Segundo Flávia, os clientes têm amadurecido seu estilo pessoal e hoje estão mais exigentes em relação à oferta de moda. “O pessoal não aceita mais vestir roupas que apenas escondam o próprio corpo, ele quer peças criativas e de qualidade”, avalia.

A empresária relata ainda que os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa catarina são os que mais produzem moda plus size, motivo pelo qual recebe muitas clientes do norte e nordeste em seus eventos. “Pretendemos reunir lojistas de todo país num evento B2B no próximo semestre que gere novos negócios e atenda melhor essa demanda reprimida dos outros estados”, revela.

Um novo olhar sobre a moda plus size

“Pensar em lucrar é importante, mas as marcas que desejam desenvolver coleções plus size precisam estar atentas ao amadurecimento desse consumidor, que por anos foi massacrado pela moda e publicidade. Exercitar empatia é fundamental”, conclui Flávia.

Nessa linha de pensamento, a modelista Francielle Guimarães Rocha, docente do Senac Lapa Faustolo, explica que o momento atual da moda é de desconstrução de esteriótipo, “não acreditamos mais em padrões estabelecidos, mais em experimentações na criação de produtos de moda que somem conforto, estilo e qualidade”.

Segundo a docente, que no mês de abril ministrará um Workshop de Modelagem Plus Size na unidade, a era dos looks clássicos de malha para mulheres gordas está com os dias contados e os tempos atuais funcionam como um convite ao exercício da criatividade. “Precisamos encontrar formas de valorizar esse corpo e não mais escondê-lo”, finaliza Francielle.

 

Participe do Workshop de Modelagem Plus Size do Senac Lapa Faustolo:

Quando: 16/04 até 20/04, das 19 às 22 horas

Valor: R$300

Início das inscrições: 3/4/18, pelo site www.sp.senac.br/lapafaustolo

 

Foto: Marcella Ferrari Boscolo

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