Gloria Coelho, 64, na abertura da exposição que homenageia seus 40 anos de carreira no Acervo de Moda do Centro Universitário Senac, conversou com o ModaInfo sobre amor, astrologia e física quântica, assuntos que leva tão a sério que sempre aparecem em suas coleções.  A estilista, leonina com ascendente em peixes, afirma que, apesar de buscar inspiração no céu, mantém seus pés no chão e orienta suas criações para o mercado. Ela revela que o segredo da sua energia é o amor  “é o amor que me move, só me envolvo com aquilo que me apaixono. Eu me energizo todos os dias criando moda”, afirma.

Qual foi o ponto de partida para eleger os looks para a exposição?

Em 40 anos de carreira, é muita coisa para escolher. Em primeiro lugar, selecionei as roupas que mais representavam meu estado de espírito, as escolhi pelas emoções. As peças que estão aqui são as minhas prediletas.

Qual foi a sua melhor criação? 

Minha melhor criação é meu filho, inclusive no aspecto profissional, adoro o trabalho dele. Acredito que seja assim para qualquer mãe, né.

Quais momentos marcaram sua trajetória profissional?

Eu não costumo pensar em momentos como divisores de águas na minha vida. Eu olho para trás e vejo que sempre fui feliz fazendo moda e a possibilidade de continuar criando me deixa mais contente ainda.

Ser leonina com ascendente em peixes é

É ter muito amor pela vida, nossa frequência é muito alta, mas a gente também sabe olhar para baixo, temos os pés no chão.

Você fala muito sobre a energia das coisas, que cria energia

Mas a gente é energia pura, né? Eu estudo física quântica e acredito que a gente emana energia para o universo para projetar nosso futuro. Estamos todos ligados no universo.

E você se conecta mais com esse assunto só por meio da ciência ou também pela espiritualidade?

Eu tenho muitas dúvidas, me interesso pela ciência, pois não acredito na figura divina como um velhinho que fica ajudando as pessoas, mas eu recebo tudo quanto for benção que queiram me dar. Estudo a kabbalah também porque ela me ensina a cuidar do meu ego, a melhorar meu ser, me posicionar na vida.

E quando você se interessou por astrologia?

Faz tempo, aos 17 anos eu comecei a ler um livro sobre o tema do Omar Cardoso na casa de uma amiga minha e nós inventamos um brinquedo em que cada parte do corpo representava um signo. O leonino, por exemplo, representa o coração, o capricórnio, os ossos, e o canceriano, o estômago.

Você se especializou nesse assunto, né?

Sim, eu faço mapa astral e hoje eu sei que, quando acordo mais preguiçosa, estou transitando em Netuno, quando estou mais ativa, em Urano.

Sua última coleção abordou a cura. Quais males precisamos curar no mundo?

Precisamos curar nossos medos, os “nhénhénhé”, a pobreza espiritual e o egoísmo, além de restaurar nossa saúde e o bom humor. A lista é grande.

A moda te serve de amuleto, então?

Sim, minhas roupas já são feitas com amor pelas costureiras, essa é a energia da minha fábrica. Além disso, escrevi nas roupas as mesmas palavras positivas que coloquei nas paredes do atelier, como saúde, felicidade, paz e alegria. Acredito que isso quebra qualquer mal humor.

E você considera a moda uma arte?

Quando é apresentado algo sem precedentes, considero arte, porém quando se faz roupas para vender, é negócio. Eu gosto muito das peças da Rei Kawakubo e as considero arte, dada sua complexidade e ineditismo.

E qual é a dosagem na sua marca?

Eu gosto de desenhar peças avançadas, de fazer o novo, mas preciso fazer coisas vendáveis. Isso é um problema, porque geralmente as peças que eu mais gosto não são as que vendem bem. Um exemplo bacana é uma calça nossa que representa 45% do nosso faturamento porque deixa o corpo lindo, não posso abrir mão dela. Meu dever é trabalhar com os must have do melhor jeito possível, já que precisamos deles para que a marca exista.

Quais são seus próximos objetivos?

Ah, eu espero fazer muita coisa ainda, continuar criando sempre. Mas desejo agora vender minha empresa e focar apenas na criação.

Sério? Sua empresa está à venda?

Sério! Não quero mais lidar com a burocracia, com questões regulatórias, tenho preguiça disso. Desejo focar apenas em criação, ser empregada da minha marca.

É verdade que você recarrega energia vendo novelas?

Eu chego às 21 horas durante a semana em casa e faço meditação com novela, uma higiene mental mesmo. Durmo apenas cinco horas por noite para fazer ioga ou massagem. Aos finais de semana faço caminhada. Minha rotina é puxada, mas, por mais cansada que eu esteja, eu me energizo quando piso na minha fábrica.

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