Exaltação das identidades dos criadores pelas maisons dá o tom aos desfiles da temporada

 

O PFW (Paris Fashion Week) é o evento que reúne as maisons mais tradicionais da moda e, nesta semana, apresentou suas apostas para o verão 19 do hemisfério norte confirmando uma das macrotendências em voga, a exaltação da identidade na criação.

É curioso como, em tempos de fluidez nas relações e nas experiências, a gente se volte cada vez mais à compreensão da voz interior que inspira, questiona e determina nosso papel no mundo, um assunto muito discutido no Senac Moda Informação 2.18, que aconteceu ontem, no Mundo Pensante.

Com a moda não é diferente e, ainda que ela se movimente continuamente por meio dos modismos passageiros de cada temporada, é revisitando o próprio DNA que faz os olhos do público brilharem.

Basta observar os desfiles mais comentados do PFW para se confirmar essa impressão, como no caso da Gucci, que de acordo com a marca, encerra uma trilogia de homenagens à juventude transgressora de 1968, um movimento social que, sessenta anos depois, ressurge vivo como nunca em nossa sociedade dos discursos extremistas.

Em termos estéticos, a eterna obsessão de Alessandro Michele pelo vintage assume aqui seu compromisso de resgatar uma história por nós herdada, readequando-a para as novas gerações, ao carregar as tintas em tons vibrantes e exagerar no mix de texturas e sobreposições, num longevo namoro com o kitsch que já se tornou o seu legado para o meio da moda.

O mesmo se pode afirmar sobre a Chanel, que apesar de sempre inovar nas suntuosas instalações para os seus desfiles, tem optado pela reafirmação da fusão dos signos da maison com o lifestyle aristocrático do Karl Lagerfeld na criação de produto, motivo pelo qual vimos nessa temporada as modelos desfilarem em uma praia cenográfica de tailleur, luvas e óculos escuros, invocando a persona do criativo como ponto de conexão da marca com o público.

Maria Grazia Chiuri não fez diferente, apresentando uma coleção inspirada no universo revolucionário da dança contemporânea que dá continuidade à narrativa do feminismo construída por ela à frente da Dior, fazendo-se notar até na semelhança da beleza das modelos com o seu estilo pessoal.

Chanel

Dior

Gucci

Outros designers, no entanto, obtiveram um retorno controverso da audiência ao recorrer à mesma fórmula, como no caso de Hedi Slimane, que estreou na Celine com uma coleção oitentista e rocker tão fiel ao próprio estilo que rompeu com silhueta clássica da marca, ou o Anthony Vaccarello, criticado pela jornalista Vanessa Friedman por resgatar na Saint Laurent os códigos do fetiche trabalhados pelo seu fundador no passado de uma forma que, para ela, soou datada, mas que certamente a marca não terá dificuldade alguma em vender.

Sobre essa temporada de excessos na reafirmação da própria identidade, vale a pena contemplar o trabalho conceitual da Margiela, Comme des Garçons, Vivienne Westwood e Thom Brownie (na imagem em destaque), que tangibilizaram nos volumes extracorpóreos a mesma carga histórica trabalhada pelos designers mencionados anteriormente, no propósito de reafirmar seu traço criador para o público.

Rick Owens

Vivienne Westwood

Comme des Garcons

Confira os looks do PFW selecionados pelo #ModaInfo e inspire-se:

Imagens: Fashion Snoops

Comentários

Comentários