Mercado interno aquecido para cobrir o gap de oferta na recessão

 

Após dois anos austeros, as indústrias têxtil e de confecção começam a dar sinais de melhora. É o que aponta a pesquisa do IEMI (Inteligência de Mercado), que analisou o desempenho do trade nos dois primeiros meses de 2017 e apontou alta de 5,7% da produção de manufaturas têxteis (140 mil toneladas), além de 9,3% de receita (R$2,6 bilhões), no comparativo com o mesmo período no ano anterior.

A pesquisa revela que o consumo interno aparente do vestuário foi de 469 milhões de peças no mês de janeiro, registrando uma alta de 13,9% sobre o mês anterior. No acumulado do ano, até fevereiro, houve alta de 11,3% em relação ao mesmo período de 2015.

Em valores, o IEMI aponta que a receita da indústria de vestuário alcançou cerca de R$ 7,4 bilhões, uma alta de 17,5% no faturamento mensal do mês de fevereiro frente ao mês anterior. No ano, houve uma alta de 5,6%, em comparação ao mesmo período do anterior.

O instituto monitora o setor têxtil há quase 30 anos, analisando mensalmente indicadores de investimento de cerca de 4 mil empresas. Para Marcelo Prado, diretor do IEMI, a melhora se deve ao destravamento da economia, redução de juros (11,25% com previsão de chegar a 8% até o final do ano) e combate à inflação (de 4,5% ao ano). “O impeachment foi decisivo nessa melhora, pois os investimentos tinham sido cortados no início de 2016 e nós vivíamos um cenário de incertezas”, acredita

O especialista enfatiza que o varejo de moda é o principal consumidor da produção interna, respondendo por cerca de 60% da receita geral.  De acordo com ele, a recessão, responsável por esgotar os estoques do varejo, o obrigou agora a fazer novos pedidos para atender ao público, além de destacar a liberação do FGTS como potencial de aquecimento do mercado interno a partir do mês de maio.

“O varejo foi adiando as compras o tanto que pôde e agora está se recompondo pra enfrentar a demanda do outono/ inverno. Se tivermos um frio razoável, as vendas podem ser estimuladas no segundo semestre”, finaliza.

 

Foto: Thinkstock

 

 

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