Encontros culturais são tema da estação

O relatório mais recente da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado em junho do ano passado, chamou a atenção para o alarmante recorde global de 65,5 milhões de pessoas vítimas de deslocamentos forçados, das quais um terço se encontra em situação de refúgio.

Esse enorme contingente de migrantes tem motivado fluxos controversos ao redor do mundo de hostilização ao estrangeiro, sendo o Brexit e a eleição de Donald Trump duas mensagens claras sobre as fronteiras que o conservadorismo ainda é capaz de fechar, mesmo na era da informação compartilhada, redesenhando conceitos contemporâneos sobre esquerda e direita.

Tais movimentos também têm inspirado a sociedade a conhecer novas culturas e trocar ideias com aqueles que chegam. Não por acaso, nos últimos anos, a gastronomia síria e africana esteve em alta na cidade de São Paulo, assim como itens originados da indumentária desses povos, como o turbante, que deram o que falar nas ruas e nas passarelas, em imersões no tema proporcionadas por grifes como Prada e Vivienne Westwood, e o icônico desfile Reexistência, de Ronaldo Fraga, no SPFW N41.

Essa agitação em torno da aproximação cultural entre os povos não passou despercebida pelo fórum de tendências do Inspiramais que apresentou essa semana o tema Resistência como o mote do Verão 2019 para o desenvolvimento de criação no setor de couro e componentes da indústria têxtil nacional.

O Inspiramais aponta que a riqueza cultural dos migrantes deve preencher as roupas com sobreposição de informação, chamado de Over Info, que deverá se desdobrar em traçados folclóricos, cores vivas e sólidas sobre fundos escuros e barrados supertrabalhados em peças com volume, texturas e brilho.

É isso mesmo, tudo junto e misturado pra “evidenciar as saudades e questionar as barreiras culturais na moda”, explica Tatiana Lucia, consultora do fórum e membro do coletivo criativo do último #ModaInfo. Além do maximalismo teatral, o tema também se volta para a Rússia, palco da próxima Copa do Mundo, e relê as obras dos artistas construtivistas Malevitch e Rodchenko, caracterizadas pelas formas geométricas e grafismos que influenciaram a moda soviética nos anos 1920, florescimento da Revolução Russa.

Ainda que a Rússia esteja em alta há algumas estações, vide a evolução do estilista Gosha Rubchinskyi, que desfilou essa semana uma coleção em parceria com a Adidas na Semana de Moda Masculina de Milão, o legado da Copa do Mundo deve perpetuar os traços da identidade cultural desse povo para a próxima temporada, com maior aceitação no varejo.

Imagens: Divulgação

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