Sede de conhecimento, coragem de apostar no novo e cara de pau. Esses foram os pontos a que a estilista Karin Feller creditou seu sucesso profissional durante a Arena Internacionais x Nacionais do #ModaInfo 1.18, que aconteceu em 5/4, no centro Cultural B_arco.

Há dez anos criando moda para a sua marca homônima, Karin topou o desafio de estruturar um time de estilo na varejista Di Gaspi ano passado, assumindo a direção criativa de um player de moda que integra o calendário acelerado do see now, buy now no Brasil.

Mas engana-se quem pensa que a migração da estilista da moda artesanal para o comercial foi o primeiro desafio de sua carreira, que já Karin conta que saiu da faculdade de olho no mercado internacional e sabia que não seria fácil.

“Após vencer o concurso ponto zero, que impulsionava novos talentos para o exterior, precisei aprender a vender meu produto lá fora, o que eu detestava porque tinha vergonha”, lembra ela, que encontrou na terra do sol nascente o ponto de partida para a sua label, reconhecida pelo trabalho artesanal de estamparia, de motivos florais em aquarela.

“Conforme os compradores estrangeiros iam fazendo pedidos, eu estruturava minha marca. Sempre me joguei por acreditar que faria o meu melhor, mesmo sentindo medo, em alguns momentos”, relembra Karin.

Para driblar as inseguranças, a estilista afirma que a construção de repertório foi fundamental em sua jornada criativa. “Não existe feeling assertivo sem extrema dedicação e pesquisa. Só assim você começa a criar conexões que te fazem antecipar tendências de comportamento e mercado”, afirma.

 

Confira o ping-pong da estilista com o #ModaInfo:

A sua marca homônima tem uma trajetória superinteressante de internacionalização. Esse direcionamento foi premeditado ou aconteceu com o tempo?
Em relação a minha marca, posso dizer que foram as duas coisas.
Eu comecei ela pensando em internacionalização, por conta do projeto Ponto Zero, além do apoio que eu tive de uma trade exportadora, chamada Facex Trade.
Não foi exatamente o que eu planejei pra mim um dia, mas soube aproveitar a oportunidade. Na verdade, acho que na época eu era muito jovem, e não sabia exatamente o que seria da minha carreira, as coisas boas foram acontecendo e eu fui agarrando as oportunidades.

Você comentou com a gente em seu desfile na Casa de Criadores que o Japão é um dos mercados que mais consumia a sua marca homônima, quais características do seu traço criador são preponderantes para isso?
Em 2015, eu tive a oportunidade de conhecer melhor o Japão, e assim entender algumas coisas que até então eram muito curiosas para mim. O fato é que, lá eles tem uma situação social e econômica que favorece a criatividade. Logo, eles também valorizam muito produtos que são de fato criados e estudados.
Acho que um produto criativo, aliado à qualidade, sempre vai fazer sucesso neste tipo de mercado.

Como você lida com as demandas de diferentes mercados no momento de criar novas coleções de moda?
Isso de fato é muito doido. O que eu aprendi com o tempo foi que não existe sempre o certo e o errado. A crítica positiva ou negativa. Existe o certo para aquele contexto, e vice versa. Acho que um bom profissional tem que entender a demanda, e adaptá-la a sua essência. Cada mercado, cada momento, é diferente e não existe uma fórmula contínua e duradoura.
Ser comercial ou ser conceitual não é um mérito. O mérito está em saber captar as necessidades e desejos daquele momento no ar, e traduzir de forma justa e criativa.

Como tem sido a experiência de colocar seu print criativo na DiGaspi, como diretora criativa?
Um desafio muito empolgante. O mundo do grande varejo é bem diferente do universo de uma pequena marca A velocidade, as necessidades, os custos, as expectativas. Eu estou amando, e estou descobrindo novas facetas do meu “eu” profissional que eu desconheci. Estou fazendo muitas coisas novas e estou gostando. Aqui na Di Gaspi não existe um departamento de estilo, e estamos implementando. Então da mesma forma que é novidade para eles, muita coisa também é novidade para mim, e juntos estamos encontrando um caminho muito legal.

Deixe seu recado para o público do #ModaInfo:
Sempre gosto de deixar um aviso para os jovens que estão chegando. Não adianta ter ansiedade, não adianta esperar milagre. Humildade, tempo, muito trabalho e experiência sempre vão trazer recompensa a longo prazo.
Nosso mercado de fato é muito maluco, mas tem mil possibilidades de realização pessoal e profissional, então apaixone-se pelos resultados, e não pela expectativa.

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