Estudo traz à tona uma nova proposta de valor para o trade até 2035

Vocês se lembram de quando a gente noticiou a inauguração do Laboratório de Moda Sustentável no Brasil em 2017?  Ele se formou a partir da união de lideranças de diferentes elos da cadeia produtiva da moda para discutir seus desafios para colocar na prática os objetivos de desenvolvimento sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas).

A iniciativa, organizada por entidades do setor como a  ABVTEX (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) e a OIT (Organização Internacional do Trabalho), resultou na estruturação de um plano voltado à melhoria das condições de trabalho e da proposta de valor do ramo que emprega mais de 1,7 milhões de trabalhadores na produção, segundo dados da Abit.

De olho nas principais tendências comportamentais (contrastantes) do nosso tempo, como o aumento do fluxo migratório de pessoas entre os países, a flexibilização das leis de trabalho e o fortalecimento dos movimentos sociais e a polarização política, o laboratório redigiu sua visão sistêmica de futuro, que encara a moda como um fator social total, presente no mercado e na cultura do nosso povo.

Abaixo, os principais pontos do relatório para colocar no radar:

  • Melhores condições de vida e trabalho na moda, com maior equidade de gênero, raça e território de origem;
  • Rentabilidade fortalecida das pequenas e médias empresas do setor;
  • Consumidoras/es mais orientadas/os por padrões de consumo consciente;
  • Recursos naturais utilizados de forma mais inteligente e sustentável;
  • Recursos financeiros para soluções de impacto mais disponíveis, acessíveis e estáveis;
  • Políticas públicas favoráveis à inovação e ao desenvolvimento sustentável do setor pautadas/ publicadas;
  • Relações de compra e venda mais sustentáveis e justas ao longo da cadeia;
  • Informalidade reduzida no setor.

“Neste momento, as iniciativas estão se tornando projetos e a plataforma alçando um outro patamar de colaboração buscando ampliar o número de participantes, de ações e conexão com outros movimentos engajados na causa da moda sustentável”, diz Lucilene Danciguer, líder-gestora do Lab Moda Sustentável.

Vale a pena destacar a Teoria da Mudança, presente no relatório, que prevê uma transformação interna do setor da moda considerando os seguintes pontos:

  • Configuração de uma aliança convocadora com legitimidade e capacidade de influenciar a transformação do setor
  • Convocação de uma equipe representativa, comprometida, experiente e com poder de ação, formada por cerca de 40 atores
  • Realização de oficinas de planejamento de Cenários Transformadores
  • Realização de oficinas de Laboratório Social para prototipagem de iniciativas
  • Planejamento de ações coletivas e incidência no setor
  • Comunicação do projeto e seus produtos/efeitos e engajamento de outros atores

A equipe do laboratório também construiu o mapeamento sistêmico, identificando os pontos de alavancagem, ou desafios, que garantem a melhoria na cadeia da moda nos próximos anos.

Baixe o relatório completo do Laboratório de Moda Sustentável:

Imagem: Getty Images

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