Augusto Mariotti

Augusto Mariotti

Augusto Mariotti, diretor de conteúdo do SPFW, é um dos principais nomes do Brasil quando o assunto é moda. Há mais de uma década à frente da principal semana de moda da América Latina, ele participou do desenvolvimento do mercado nacional, viu as ruas influenciarem cada vez mais a passarela e a internet abrir as portas das salas de desfiles para o grande público para tornar-lhe instantâneo o desejo de consumir as novidades da moda.

Em 28/3, ele vem ao #ModaInfo fazer uma resenha sobre Cultura Urbana e Estética de Periferia e antecipa algumas percepções sobre o trade no nosso ping-pong:

 

Como você avalia o desenvolvimento do mercado criador de moda no Brasil em seus 16 anos à frente do SPFW?

Houve um grande amadurecimento, com designers cada vez mais conscientes de todo o processo de criação e gestão de uma marca. Com a evolução das redes sociais, todos estão mais conectados e isso possibilitou que a moda ultrapassasse as fronteiras das cidades, estados e do Brasil. Isso também provocou possibilidades de trocas e intercâmbio de informação com o mundo todo. Assim como a maior consciência sobre identidade e a importância de juntar na criação a visão local e global para fazer algo único.

 

Como diretor de conteúdo do SPFW, quais os seus desafios de equilibrar o conceito de see now, buy now com o print criativo dos estilistas na estruturação do line-up?

Penso que uma coisa não deveria interferir na outra. Qualquer designer que tem uma marca precisa vender, mesmo que uma pequena parte de suas criações.

Equilibrar o fator criativo com o comercial é possivelmente o maior desafio de um estilista desde sempre, alguns fazem isso com muita habilidade.

Acredito que esse equilíbrio é necessário e o desfile deve continuar sendo uma ferramenta de exercício criativo e provocador dos olhares, sem desconectar a marca do seu público, mesmo que ele seja pequeno. Isso é muito mais desafiador para as grandes marcas, que tem que atingir grandes vendas. Para um pequeno desginer que já construiu sua identidade sobre uma proposta mais ousada, espera-se dele uma continuidade.

O consumidor quer continuar a ver coisas novas, diferentes e que provoquem seu desejo.

 

Cada vez mais a periferia vem pautando a passarela, sendo o sucesso da LAB um dos casos mais recentes. Assim sendo, ainda faz sentido conceituá-la como “periférica”?

Isso não vem acontecendo somente na moda, mas em diversos setores voltados à cultura, vide a música. A partir do momento que os movimentos de periferia são inseridos no mainstream, é possível dizer que eles deixam de ser periféricos.

O caso da LAB é um ótimo exemplo, a marca teve uma recepção incrível em sua estreia no SPFW porque ela mostrou com propriedade algo que as pessoas estavam precisando ver e talvez nem soubessem. A realidade das pessoas que comandam a marca talvez ainda seja da periferia, mas a mensagem da marca já extrapolou essas fronteiras.

 

Confira a programação completa do próximo #ModaInfohttp://www1.sp.senac.br/hotsites/blogs/modainfo/

Foto: Reprodução/ Agência Fotosite

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