Publicação reúne pesquisadores de diversas regiões do Brasil para discutir diversidade sexual e de gênero nos meios de comunicação

Em alta, pautas sobre a diversidade de belezas, corpos e orientação sexual marcam presença nas publicações de moda, comportamento e negócios dentro e fora do Brasil, rompendo com padrões tradicionais sobre o que se considera belo na contemporaneidade.

De olho nessa tendência, o docente Clóvis Teixeira Filho, que leciona marketing no Senac Lapa Faustolo, foi a fundo na discussão sobre a visibilidade desses temas na sociedade sob a ótica da comunicação e, como resultado, organizou o e-book Reflexões sobre Comunicação e Diversidade Sexual e de Gênero, disponibilizado para download gratuito em dezembro no site da editora Syntagma.

A obra abarca 15 artigos de pesquisadores de diferentes regiões do país com análises sobre a representação da diversidade em  meios de comunicação como a TV aberta, as redes sociais e as séries de streaming, além das campanhas publicitárias e, claro, a moda.

“Em um momento que as organizações repensam a falta de posicionamento sobre diversidade em suas equipes e comunicações, ainda lidamos com a presença de agressões e homicídios por gênero e por orientação sexual. Portanto, refletir, teorizar, planejar não são momentos de luxo, mas de possibilidades de mudança.” relata Clóvis.

Dentre as temáticas, o docente destaca o envelhecimento à mulher, a diversidade de corpos e a sexual. “Existe uma linguagem gay, por exemplo?“, reflete o pesquisador, co-autor do artigo sobre a comunicação digital de marcas brasileiras de moda agênero, assinado também pela docente Juliana Paradinha e pelo auxiliar de documentação técnica Marcus Aloísio, ambos do Senac Lapa Faustolo.

“Os padrões de gênero reforçados pela moda são construídos e desconstruídos pela vontade do mercado, que impõe conceitos culturais esteriotipados para a sociedade. Assim como o azul foi imposto para meninos e o rosa para meninas no passado, o agênero ilustra o nosso espírito do tempo de hoje, que provoca e reitera o binarismo simultaneamente”, reflete Marcus.

“Esse paper foi o resultado da nossa participação como palestrantes no Festival Transinformativo, promovido pelo Senac São Paulo em junho para discutir construções de gênero, identidade e gênero, que nos propôs a reflexão sobre práticas educativas em prol de mudanças sociais, incluindo políticas públicas que contribuam com a diminuição do preconceito e da violência simbólica e literal contra a população LGBTI”, expõe Clóvis.

Esses momentos de trocas entre a equipe também abriu espaço para o artigo que analisa as produções midiáticas e práticas educativas voltadas ao movimento plus size, encabeçado pela docente Bruna Salles, que leciona consultoria de imagem na unidade.

“A ditadura da magreza impera na moda desde a década de 1960. Hoje temos um pouco de abertura para a diversidade de corpos, mas ainda é uma luta contra os padrões”, avalia Bruna, que continua, “enquanto professora de consultoria de imagem, o meu trabalho é justamente auxiliar o aluno a entender o próprio corpo, ensiná-lo a tirar as próprias medidas. Quem decide o que é bom para o corpo ele é ele mesmo, não sou eu que dirá o que pode ou não pode”, finaliza.

Imagem em destaque: Getty Images

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