Referência em análise crítica sobre a cadeia contemporânea de moda, editora do Modefica discute apropriação e transparência no próximo #ModaInfo

 

Em tempos de superficialidade e fake news, Marina Colerato é um nome para prestar atenção no meio da moda.

Editora à frente do site Modefica, plataforma lançada por ela em 2014, voltada à articulação sustentável do meio fashion, Marina é hoje uma das poucas personalidades influenciadoras da nossa pauta que relata as diferentes realidades da indústria com conhecimento de causa, em dossiês densos, bem apurados e acessíveis na internet sobre feminismo, sustentabilidade e representatividade na moda, temas caros a ela.

Do ponto de vista de quem já viveu tanto a rotina frenética do Bom Retiro, quanto a das disruptivas pesquisas de tendências para bureaus internacionais, Marina conta que, apesar de ser formada em design de moda, sempre desejou trabalhar com comunicação.

Em 5/4, ela capitaneia, ao lado de Joy Pires, do Think Eva, a Resenha Fashionwash do #ModaInfo 1.18, em que vai discutir os movimentos de apropriação X transparência no meio da moda.

“Eu sou da geração blogger. Quando me formei em 2009, já sabia que queria escrever sobre moda como algo que merecia ser levado a sério, do ponto de vista estético, claro, mas sem desconsiderar sua relevância econômica e social na nossa sociedade. Sempre me incomodou a repetição de ‘lugares comuns’ na moda”, revela Marina.

E, por lugares comuns, entenda a centralização criativa em torno das imagens europeias, que ressaltam um estilo de vida pautado no luxo e na ostentação que, por muito tempo, reinaram absolutas nos imaginários coletivos instigados pelas marcas e pela mídia para, nos últimos anos, começar a perder espaço para a diversidade. Ou seja, há um longo caminho a percorrer.

“Hoje, consumimos mais produtos de pequenos produtores e estamos mais atentos aos métodos de produção, mas ainda não rompemos com essa estética que oprime nosso padrão de vida e nossos corpos”, avalia Marina, que começou a se sensibilizar com esses temas quando se tornou vegana, em 2012, e precisou rever sua própria lógica de consumo.

Trazer a perspectiva de gênero sobre a moda é importante, pois, apesar do gênero feminino ser o que mais consome (80% do total) e mais produz (75% do total), não aparece em cargos de liderança, como os de criação, que é geralmente preenchido pela figura do homem branco rico. Temos de desconstruir isso.

Marina Colerato

“A aproximação das pessoas com o processo produtivo é fundamental para transcender o consumismo. Precisamos pautar o produto de moda como algo que tem história para desconstruir as estruturas de poder”, explica a especialista, que desde o ano passado, integra o quadro das 35 lideranças à frente do Laboratório de Moda Sustentável, grupo que discute transformações nos setores têxtil e de moda nos próximos dez anos.

Por lá, ela conta que a diversidade das lideranças enriquece o debate, uma vez que tanto empresários, quanto ONGs e grupos de costureiras têm o mesmo direito a voz no momento em que planejam o futuro, que vai absorver de formas diferentes as demandas de transparência e sustentabilidade da sociedade.

“A pequena confecção é a que mais sofrerá, pois não dispõe dos mesmos recursos dos grandes conglomerados fashion para se adaptar às mudanças”, encerra Marina. Atualmente, a ABVTEX estima de 76% do trade de moda esteja operando de forma irregular no Brasil. 

Participe do #ModaInfo 1.18 e adiante sua pergunta para a Marina por aqui:

Foto: Marcella Ferrari Boscolo

Senac Moda Informação 1.18 
Data: 5/4/18 a 5/4/18
Horário: das 8 às 17 horas
Preço: R$ 585 (ou em até 6 parcelas de R$ 97,50 no cartão de crédito) – Valor do 2º lote válido até 22/3.

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