Marcas se despedem do athleisure, em alta nas últimas temporadas

 

Lembram de quando avisamos que as marcas que desfilam no MFW (Milan Fashion Week) estavam se descolando da silhueta athleisure para se voltarem a looks exuberantes e difíceis de copiar? Pois bem, semana passada, durante a edição de Inverno 19/20 do evento, duas das principais grifes do circuito italiano de moda se pronunciaram sobre essa alteração de rota:

Angela Missoni, à frente da marca que leva seu sobrenome, disse recentemente à Vogue britânica que está “cansada de streetwear e sportswear”, indicando o retorno da label à sua silhueta fluida, descomplicada e refinada.

Refinamento é, aliás, a palavra-chave dessa temporada de moda italiana. Nas palavras do designer Paul Surridge, da Cavalli, refinar o mix de produto é uma questão de autoproteção do meio do luxo neste momento, que em sua visão “deve oferecer produtos de alta qualidade difíceis de copiar, pelos quais o público se apaixone ao tocar”.

Discussões sobre certo e errado na moda à parte, fato é que a transição entre modismos em voga faz parte da manutenção do interesse do público pelos lançamentos do segmento de moda e, uma vez que a casualidade dos looks esportivos está dando sinais de cansaço, a ordem é sofisticar.

Não por acaso, a alfaiataria e a moda festa deram o tom aos looks desfilados na temporada, sendo a coleção da Moncler desenhada por criativos como Pierpaolo Piccioli, Richard Quinn e Simone Rocha um dos maiores expoentes desse revés criativo.

Vale lembrar que marca esportiva, em alta pelas colaborações com designers do mundo inteiro, esteve envolvida recentemente num episódio de racismo ao resgatar o personagem Sambo, símbolo de estereotipação do povo negro e do blackface, numa coleção desenvolvida pelo coletivo FriendsWithYou, tal qual a Prada e a Gucci na mesma temporada.

Inconsciente coletivo racista? Coisas da branquitude. No fim das contas, as três marcas retiraram as peças polêmicas dos pontos de venda e emitiram um comunicado público de desculpas, mas sabemos que esses casos só deixarão de se repetir quando a diversidade deixar de ser uma constante apenas em moodboard para virar uma rotina nas equipes de criação.

Talvez por isso, sentimentos obscuros pairaram sobre as criações de Miuccia Prada e Alessandro Michele, a primeira inspirada em personagens nefastos como Vandinha Addams e a noiva do Frankenstein para compor seus looks fechados, quase sempre adornados por flores murchas que remetiam diretamente ao enlutamento, e o segundo, imerso num baile de máscaras e spikes BDSM num cenário de espelhos levou o jogo de mostra e esconde da moda ao nível filosófico, quem somos nós na era da superexposição? 

Confira os looks do Milan Fashion Week selecionados pelo #ModaInfo:

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