Fotógrafo participou do evento Casa Aberta. Ação reuniu todas as unidades do Senac São Paulo para celebrar os 70 anos da instituição

 

J. R. Duran

J. R. Duran

O Senac Lapa Scipião recebeu em 10/12 o fotógrafo J. R. Duran para a palestra “A profissão do fotógrafo – uma trajetória de sucesso“, como parte da programação do evento Casa Aberta, ação que envolveu todas as unidades do Senac São Paulo na celebração de seus 70 anos, com atividades abertas a comunidade.

Referência global na fotografia, Duran, que nasceu na Espanha e adotou o Brasil como lar nos anos 1970, revela que apesar de ser muito lembrado pelos ensaios de nu que levam a sua assinatura, realizou muito mais trabalhos publicitários ao longo da carreira. Contudo, não é a fotografia publicitária que define o seu trabalho.”Eu me considero um fotógrafo retratista, é por meio da fotografia que eu retrato o universo”, explica.

E quem consulta seu portfólio invejável construído ao longo de mais de quatro décadas de carreira, não imagina que, na adolescência, Duran passava a maior parte do tempo na companhia dos livros da biblioteca de seu pai. “Antes de ir viver a vida, eu fui entendê-la na literatura. Para mim, a literatura antecipa o que acontece no mundo, pois a história sempre se repete”, revela ele, que destaca a ficção futurista “A Invenção de Morel”, de Adolfo Casares, como o seu livro de cabeceira.

Durante a palestra, o profissional discorreu acerca das muitas referências artísticas que o auxiliaram a desenvolver sua marca criativa, que passam pela pintura, o cinema e a literatura. “Quando você vê uma fotografia, ela só te dá o registro do instante, já na literatura, as imagens se movimentam na sua mente. No caso da pintura, que não é tão realista como a fotografia, a imagem traz à tona os sentimentos que permeiam o imaginário do artista”, afirma.

Confira na íntegra a entrevista de J.R. Duran cedida ao #ModaInfo:

 

Como você traz as suas influências artísticas para o seu cotidiano profissional? 

Eu me inspiro na arte do Velázquez e do Rembrandt, por exemplo, para realizar meus trabalhos, sem dizer isso a ninguém, pois eu fotografo aquilo que eu vejo e nem sempre o que eu vejo é a realidade. Considero a minha fotografia uma maneira de me aproximar das pessoas e conhecer o mundo, já com a literatura eu entendo o mundo e antecipo o que acontece. A história se repete sempre.

 

Por que você se define como um fotógrafo retratista?

Eu acredito que, mesmo atuando na fotografia de publicidade, eu retrato o universo. Eu retrato universo imaginários a partir do meu passado, dos filmes e dos livros que eu leio, as telas que eu gosto.

 

Você não se influencia pelas tendências na fotografia?

Não acredito em tendências, acredito em novidades. No momento em que você detecta uma tendência, ela já passou, deixou de ser interessante. Quem quer chamar a atenção seguindo a tendência só repete o que outros já fizeram. A tendência não é amiga da originalidade.

 

Você é muito seguido no Instagram, mas já declarou que jamais fotografaria com um smartphone. A sua relação com as redes sociais vem mudando? 

Eu disse que só fotografaria com o celular o dia que a minha câmera fizesse fotos. De fato, eu faço registros no celular, mas não publico nenhum. Como fotógrafo, eu preciso trabalhar com imagens em alta resolução, que me permitam “envelopar um prédio” se for preciso. Eu demorei muito para abrir uma conta no Instagram porque não queria que ele tivesse a mesma leitura dos outros perfis. Por lá, conto histórias em sequências de três, seis ou nove imagens. Isso me diverte.

 

Você acompanha o trabalho dos seus colegas pelas redes sociais?

Não me interessa o que eles fazem, desconfio que são eles que me acompanham. Eu utilizo as redes para acompanhar outros assuntos, pois o meu ponto de influência não é a fotografia, é a vida, o mundo, os livros, os filmes e as pessoas.

 

Como a demanda por fashion films influencia a fotografia?

Percebo que cada vez mais a imagem estará em movimento, mas chamo isso de motion picture ao invés de fashion film porque penso que este termo estreita o pensamento. Você pode fazer um filme de moda e aplicá-lo a outros universos, não precisa ser só um fashion film. Por exemplo, eu vejo os filmes da Prada como arte.

 

Que dica você deixa aos estudantes de fotografia que desejam iniciar sua trajetória nesse meio?

Não existe fórmula do sucesso, mas a do fracasso é tentar agradar a todo mundo. Quem segue o mainstream apenas agrada a todo mundo.

 

Fotos: Divulgação.

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