Fique por dentro das macrotendências criativas da temporada

 

Sempre de olho no que está por vir, o Senac Moda Informação chamou a coolhunter Iza Dezon, diretora da Peclers Paris, para discorrer sobre as macrotendências estéticas do momento em sua primeira edição do ano, que aconteceu ontem, no Centro Cultural B_arco.

“Estamos num cenário de esgotamento dos modelos ditos ‘perfeitos’ pelo senso comum, nos interessa a disrupção, para a criação de um novo entendimento sobre o belo”, destaca Iza.

Como inspiração inicial, a coolhunter propõe um segundo olhar sobre a fotografia, responsável pela maior quantidade do material visual que alimenta a moda, e que nas últimas duas décadas se reinventou com técnicas de manipulação de imagens. “A gente estabeleceu que a sofisticação possui muitos parâmetros estéticos e a imperfeição, um aspecto de desleixo. Hoje, a gente entende que certas imperfeições, como uma desconstrução na modelagem ou acessórios diferentes, são interessantes para explorar”, sinaliza.

Ainda pensando em fotografia, Iza propôs que o público resgatasse imagens analógicas, algumas com granulação alta, como um exemplo do exercício de registro de imagens sem filtro, de estética pré-digital, linguagem explorada no clipe mais recente do artista paraense Jaloo, “say goodbye”.

O exercício de olhar pra trás também pode entregar pistas de como resolver problemas do presente. Se antes tínhamos uma noção de desenvolvimento e progresso social embasada no consumismo, hoje a urgência da sustentabilidade nos faz quebrar a cabeça para dar conta de um sistema que, apenas na região do Bom Retiro, no centro de São Paulo, descarta diariamente 20 toneladas de artigos têxteis que nunca foram usados, de acordo com o Sinditêxtil.

“O relacionamento do homem com a natureza está em cheque e os criativos estão tão cansados de bater nessa tecla que estão partindo para a reconstituição de cenários pós-humanos que despertem a empatia nas pessoas”, revela Iza, que citou o trabalho do coletivo TeamLab, que explora a biomimética, como um exemplo do uso da tecnologia para aproximar o homem da natureza.

De acordo com Iza, são justamente os perfis artivistas que concentram inovações interessantes na moda, que ela chama de modernos com causa, e incitam as marcas a repensar seu propósito. “Os millenials têm causa e vêm reagindo às ondas de intolerância que se estabeleceram nas principais economias do mundo, as marcas têm de estar atentas a isso”, explica

A especialista finaliza sua fala apontando para como a organização das pessoas em coletivos têm influenciado o surgimento de espaços compartilhados, como a House of All, que também participou do #ModaInfo, em que o acesso é mais importante que a posse. “Chamamos esses espaços de happen spaces (espaços para “fazer acontecer”, em tradução livre), em que as pessoas se unem para cocriar novas soluções para o dia a dia.

 

Saiba mais sobre as tendências com esse ping-pong que gravamos com a Iza:

 

 

Fotos: Renato Souza

Comentários

Comentários