Evento discute novos modelos de negócios na era da experiência

“Não acredito em fórmulas prontas para nada. O grande desafio de cada marca é descobrir como as pessoas desejam consumir e se relacionar com elas, traduzindo seus insights em experiências”, disparou o palestrante Daniel Cunha, da Basico.com, durante o Senac Moda Informação 2017 ed.2, que trouxe cases de criação e negócios para cerca de 200 pessoas do meio, entre estudantes, influenciadores e profissionais.

Nos bate-papos promovidos em formato de arena, abertos à participação do público, e experiências desta edição, como a Galeria de Sensações, um mergulho nas referências criativas da temporada, o Meet & Match, plataforma de network entre os participantes e a edição especial da Trocaderia, a ideia era aproximar todos os presentes no evento, estimulando as parcerias, umas das principais tendências de moda do nosso tempo.

Magá Moura no #ModaInfo/ Foto: Marcella Ferrari Boscolo

Magá Moura no #ModaInfo

A apresentação do #ModaInfo coube à coolhunter Magá Moura, ícone da geração tombamento que lançou com o estilista Isaac Silva sua primeira coleção de roupas, fruto de suas pesquisas no jet set internacional, no início do ano. “Assumir minha identidade me trouxe autoconfiança e motivação para escrever sobre o seja você mesmo nas redes sociais, há quatro anos. Hoje as marcas me reconhecem como influenciadora exatamente por isso”, acredita.

O autoconhecimento também foi o ponto de partida para a Arena Coexistências, que abriu a agenda reunindo players de moda fast e slow, como a Dani Ribeiro, da Roupateca, Dedé Bevilaqua e Daniel Cunha, da Basico.com, e Edio Uemura, do Privalia, para discutir propósito.

Dedé, estilista por formação, conta que levou um ano para desenvolver a primeira t-shirt da Básico, marca concentrada na criação de produtos atemporais, preocupada com a qualidade. “Quando começamos, queríamos fazer a camiseta perfeita, durável e com caimento excelente, que nunca encontrei por aí. Ainda hoje a estamos aprimorando, é um trabalho constante”, explica.

Se o tempo dedicado ao desenvolvimento de produto da Básico já impressiona, o ritmo frenético de produção da Privália, outlet on-line de moda líder em seu segmento, salta aos olhos. Por dia, uma equipe de 150 pessoas insere cerca de 1500 novas referências no site. “Venda de produto de moda vai além da peça em si, hoje, é preciso entregar conteúdo para o cliente”, avalia Edio.

Uma vez que empreender é experimentar, o cenário de crise político-econômica em nosso país tem impulsionado gente disposta a tirar suas ideias do papel. Em 2016, quando o desemprego atingiu a marca de 12 milhões de brasileiros, o núcleo de pesquisa Unitfour analisou um aumento de 20% de abertura de novas empresas em comparação com o período anterior.

Empreendendo moda

Resenha Empreendendo moda

Em sintonia com esse momento, a Resenha sobre Empreendedorismo de moda trouxe histórias inspiradoras para o público, como a da estilista Helen Rödel, reconhecida internacionalmente pela criação de moda amparada na técnica artesanal do crochê, a dupla Clara Tarran e Renato Duarte, da Escudero & Co, especializada em acessórios de alta qualidade em couro, e Nathalia Adachi, do brechó Capricho à Toa, convidada da plateia para entrar na roda.

Helen, que está comemorando dez anos à frente de sua marca homônima, conta que os primeiros anos foram serviram para imersão criativa, um começo incomum no mercado, facilitado pelo apoio familiar que tivera na época, mas necessário para ela desenvolver seu traço criador. “Eu precisava me entender como designer formatar o core business da marca, não houve preocupação com negócios no início”, avalia.

Já o casal da Escudero & Co, que em 2014 reestruturou sua oferta para desenvolver apenas acessórios de couro, a essência da marca, atribuiu seu reconhecimento no mercado à segmentação dos negócios. “Nosso maior acerto foi focar em apenas uma matéria-prima, um tipo de produto e um canal de vendas, cortamos as sobras de insumos, porque não lançamos coleções com prazo de validade, e nos dedicamos a aprimorar cada peça constantemente”

O empreendedor precisa ter paixão que vá além do que o resultado rápido traz, contudo, quando estamos começando um novo empreendimento, não podemos deixar a criação consumir todo o nosso tempo e subestimar o desenvolvimento dos negócios”, avalia Renato.

André Carvalhal, diretor cocriativo da AHLMA, label que desenvolve looks em pequenas tiragens, feitos a partir de reaproveitamento de insumos têxteis, refletiu no #ModaInfo sobre sua aposta na disrupção como reflexo da nova era inaugurada pelos nativos digitais, a geração Z, que acessa informação de qualquer lugar do mundo em tempo real e está atenta à transparência.

“Eu fui muito influenciado pela geração Z, por isso eu falo que romper padrões é um caminho sem volta. Mas ainda estou entendendo como alcançar meu ponto de equilíbrio com esse novo modelo de negócios, que não é pautado por gênero, estação, nem hierarquia. É um exercício diário de propósito”, finaliza André.

 

Fotos: Marcella Ferrari Boscolo

 

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