Filósofa vem ao evento discutir feminismo e ativismo negro junto a Augusto Mariotti, diretor do SPFW, Marina Colerato, do Modefica, e as blogueiras Tracie e Tasha

 

Foi na adolescência que Djamila Ribeiro se percebeu feminista, apesar de militar junto ao pai, estivador e comunista, desde criança. É que nessa época ela conheceu a Casa de Cultura da Mulher Negra, em Santos, sua cidade natal, e lá se viu representada para mergulhar nas questões de desigualdade social, econômica e política, que ainda predominam no Brasil e atingem prioritariamente as brasileiras negras.

“Meu pai não teve educação formal, mas sempre estimulou o debate e a leitura em casa. Ainda assim, eu sentia falta de discutir sobre a desigualdade de gênero”, explica Djamila, uma das principais vozes do feminismo e do ativismo negro no país.

De lá pra cá, ela se tornou mestre em Filosofia Política e foi secretária adjunta da Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania de Sp, na gestão de Fernado Haddad. Atualmente, escreve para sua coluna no site da revista Carta Capital e apresenta o programa Entrevista, na TV Cultura, voltado à temática dos direitos humanos.

Em 28/3, a filósofa participa da rodada de resenhas do #ModaInfo, junto a Augusto Mariotti, do SPFW, Marina Colerato, do Modefica, e as gêmeas Tracie e Tasha, para discutir como a visibilidade da cultura afro na moda pode contribuir com a inclusão social do povo negro, que representa hoje mais de 70% da população brasileira em extrema pobreza, um dos legados do racismo em na sociedade.

“O resgate das nossas raízes é importante, nos traz autoestima e identidade, mas, para além disso, é fundamental conquistarmos nosso espaço. Não adianta estarmos empoderamos no estilo se continuamos marginalizados socialmente”, reflete.

O florescimento da estética africana na moda brasileira, também chamado por alguns de afrotombamento, é um divisor de águas numa indústria que, historicamente, contribuiu para a invisibilidade do negro e traz consigo a discussão sobre apropriação cultural. “Acho que ainda é uma indústria que nos mantém na invisibilidade, que vê a nossa luta como algo menor. Mais do que explorar os símbolos da cultura africana em uma coleção, é importante que as marcas contratem funcionários negros para criar, desfilar e produzir moda”, arremata.

Conheça a programação completa do Senac Moda Informação 2017 ed.1https://goo.gl/wn4jch

Foto: Júlia Rodrigues

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