Propósito do evento é ressignificar a pesquisa de tendências de moda

 

Cada vez mais conectada, a moda segue seu percurso de transformação em alta velocidade. Se antes era possível fazer coleções inteiras apenas importando os hits internacionais para as vitrines brasileiras, hoje é necessário interpretar se o que se propõe como “novo” faz sentido para a sua identidade de marca e dá match com o seu público-alvo.

Atento a este cenário, o Senac Moda Informação vem promovendo a disrupção em seu conteúdo a cada nova edição para que os profissionais do meio aprofundem seu entendimento sobre as mudanças do mercado por meio da ressignificação das pesquisas de tendências de moda, que, antes de mais nada, falam sobre comportamento humano.

A última edição, que aconteceu em 4/10 e reuniu mais de 120 pessoas no Mundo Pensante, no Bixiga, em São Paulo, estimulou a troca de ideias em rede com personalidades criativas como o designer e artesão Gustavo Silvestre, que propõe uma moda afetiva, atemporal e difícil de copiar, a coolhunter Andrea Bisker, precursora da WGSN no Brasil, Fábio Kadow, do Grupo Puma Brasil e o Coletivo Coolhunter Favela, que subverte a centralização do que é cool para visibilizar as periferias do nosso país.

#ModaInfo 2.18

“Ficamos reproduzindo a mentalidade de fazedor de produto sem identidade por muito tempo. Ainda hoje, há uma boa parcela de profissionais nesta página, porém, cada vez mais eu vejo gente preocupada com a construção de marca por meio de um trabalho autoral”, avalia a consultora Tatiana Souza, mediadora do evento.

Nesse sentido, é indiscutível que a colaboração entre marcas e influenciadores tem sido uma alternativa bastante utilizada para estimular a troca e a participação efetiva do público na construção de identidade de marca, chamada por Fábio de storydoing.

“Os novos consumidores vem de uma geração fluida, que não aceita nada imposto, está atenta à veracidade e autenticidade do que comunicamos e quer construir junto, o que eu chamo de storydoing”, afirma Fábio Kadow, que continua, “isso se reflete na forma como fechamos as collabs, entendendo que pessoas são complexas, não uma página de mídia”.

Não por acaso, as macrotendências estéticas discutidas pela Andrea Bisker se baseavam nos eixos pessoas, planeta e propósito para dialogar sobre a sustentabilidade nos nosso modos, seja para fazer roupa, se relacionar em grupos , ou cuidar do entorno. “Para se trabalhar com moda, é preciso ter empatia, saber o que move as pessoas”, alertou a especialista.

Em outras palavras, a criatividade “está na moda” novamente e, clichês à parte, o rompimento de parte significativa das marcas com a simples reprodução do “unicórnio da vez” para uma consequente exaltação de valores aponta para um momento em que os consumidores começam a transcender o apelo estético da segunda pele que os veste para chegarem mais perto de seu propósito.

Para facilitar o processo de decodificação das informações discutidas durante esse encontro, a jornada de conhecimento do #ModaInfo continuou no dia seguinte, com o Workshop de Tendências Aplicadas, um lab que contou com a participação de 15 criativos no Senac Lapa Faustolo.

Workshop de Tendências Aplicadas do #ModaInfo 2.18

Nele, as docentes de moda Larissa Henrici e Ana Sudano propuseram a discussão dos temas na pauta do #ModaInfo com o intuito de facilitarem o recorte da sua aplicação para a marca de cada participante. “Percebemos que as pessoas utilizam melhor o conteúdo sobre macrotendências quando reservam um momento para refletirem sobre o seu impacto no próprio modelo de negócio”, avalia Ana.

Desta forma, a troca de ideias entre os participantes do workshop culminou na construção de painéis de inspiração individuais, que serviram como ponto de partida para eles começarem uma nova coleção de moda ou revisarem algum processo na marca, como no caso do designer de moda Kauê Santoro, do e-commerce Passarela, que participa há 3 anos do Senac Moda Informação, e marcou presença nos dois dias de evento.

“Quando comecei a frequentar o #ModaInfo, me interessava pelas entregas de tendência de produto do evento, que complementava minha pesquisa, para orientar o departamento comercial. Conforme a proposta do evento amadureceu, percebi que antes de compreender os hits da estação, precisava decifrar o comportamento do nosso público-alvo e essa virada de chave influenciou tanto o meu processo criativo quanto a comunicação da nossa empresa, que hoje não fala apenas de produto, porque o foco é dialogar com os clientes”, avalia Kauê.

Sobre isso, Nathalia Anjos, coordenadora de conteúdo do #ModaInfo, chama atenção para a importância da ressignificação. “É preciso ter em mente o amplo conceito da moda, que considera a criação e o desenvolvimento de produto como parte sistêmica de um cenário global, social, econômico e ambiental e que tem o ser humano como centro”, finaliza.

Fotos: Soul Art e Marcella Ferrari Boscolo

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