Primeira cantora brasileira a emplacar três canções no top 5 do Spotify Brasil, Pabllo Vittar é atualmente uma das protagonistas do ressurgimento da cena drag no pop nacional, impulsionada globalmente pelo bem-sucedido reality show norte-americano RuPaul Drag’s Race.

No ar há nove anos, o programa vem revelando artistas do ramo, enquanto influencia a formação de novos nomes, como o caso da drag Lou Lou Callas, que se inspirou nele para montar sua personagem, em 2015, uma homenagem à modelo Loulou de la Falaise, musa de Yves Saint Laurent, e à cantora Maria Callas.

“Eu sou músico e trabalhei como editor em revista de moda”, explica Lou Lou, que estudou design no Senac SP, e continua, “para compor os looks da minha drag, faço um mix de peças prontas com outras que costuro à mão fazendo moulage, além de usar algumas roupas de boy na montação também”.

O primeiro registro da palavra drag data de 1870, como uma sigla para Dressed Resembling A Girl (vestido como uma menina, em português), em referência a artistas homens que encarnavam personagens do sexo oposto no teatro, tema tratado pela primeira vez no cinema na película Victor ou Victoria, de 1933.

Por aqui, o termo transformista foi bastante utilizado nas décadas de 80 e 90, quando havia concursos na TV aberta para eleger as melhores performances, época em que nomes consagrados como Nany People, Silvetty Montilla e Vera Verão surgiram na mídia também, tornando-se vanguarda dessa subcultura aos olhos do grande público.

https://www.instagram.com/p/BgE39_Ng05e/?taken-by=ivanawonder

A artista Ivana Wonder prefere a palavra transformista à drag, “não me vejo como drag, mas como um palhaço, algo pós-humano, além de qualquer representação esteriotipada de gênero”, explica ela, que faz sucesso com as t-shirts que comercializa em seu e-commerce com intervenções em fotos e ícones LGBT+.

Sobre essa flexibilidade, a psicanalista Miriam Chnaiderman, diretora do documentário De Gravata e Unha Vermelha (2015), que aborda a construção do corpo pela perspectiva de personalidades como Rogéria e Laerte, reconhecidas por quebrar padrões, reflete que a construção da drag é uma brincadeira com as convenções sociais.

“A drag brinca com a questão da identidade, pois é uma personagem lúdica, que exagera e fantasia sobre as mil facetas da nossa sexualidade”, esclarece Miriam.

Por não estar associada à identidade de gênero, a personagens drag não são exclusivamente performadas pelo público LGBT+ e, apesar de transitarem historicamente nesse circuito, também atuam em eventos fechados, como casamentos e formaturas, como mestre de cerimônias e performer.

No Brasil, também há conteúdo on-line sendo produzido por influenciadores de peso, como a Lorelay Fox, que dialoga semanalmente com os mais de 400 mil inscritos no seu canal no YouTube em vídeos que vão de tutoriais de maquiagem a reflexões e ativismo, assim como o coletivo Drag-se, com cerca de 60 mil inscritos.

aretha_saddick_desfila_para_rober_dognani_drag-se

Aretha Saddick, do coletivo Drag-se, desfila para Rober Dognani na Casa de Criadores F/W 18

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por aqui, traçamos um roteiro com alguns dos principais espaços da cidade de São Paulo para quem quer conhecer mais sobre a subcultura drag:

Priscilla

O que: Festa

Quando rola: Aos fins de semana

Onde: São Paulo e Rio de Janeiro

Mamba Negra

O que: Festa

Quando rola: Mensalmente

Onde: Locações variadas em São Paulo

Blue Space

O que: Casa noturna

Quando rola: Aos sábados e domingos

Onde: R. Brg. Galvão, 723 – Barra Funda, São Paulo

A Lôca 

O que: Casa noturna

Quando rola: Quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo

Onde: R. Frei Caneca – Consolação, São Paulo

Túnel

O que: Casa noturna

Quando rola: Segunda-feira, sexta-feira, sábado e domingo

Onde: Rua dos Ingleses, 357 – Bela Vista, São Paulo

 

Foto em destaque: Pabblo Vittar para Cem Freio na Casa de Criadores.

 

 

Comentários

Comentários