Evento discute autoralidade, sustentabilidade e colaboração no meio fashion

 

A 1ª edição de 2017 do Senac Moda Informação, que aconteceu 28/3, em São Paulo, entra na história do evento por romper com a lógica da entrega das tendências de produto para discutir negócios, inovação, cultura e sustentabilidade na moda.

“As mudanças na programação do #ModaInfo foram resultado de dois anos de pesquisa junto ao público, que entende a importância de desenvolver coleções com identidade”, explicou Danielle Monteiro Martins, gerente do Senac Lapa Faustolo.

Luciana Parisi

Luciana Parisi

E para entrar em sintonia com o espírito do tempo, como canalizar o momento de crise, moral, político, ambiental e econômica, pelo qual passa o planeta em um novo desejo de compra?

A crise transformou o desejo em insegurança e, para as empresas determinadas a permanecer na ativa, a opção de baixar os investimentos na marca para acelerar ainda mais uma moda barata já não se sustenta, como destacou a consultora de moda Luciana Parisi. “Não é a toa que a geração Z nos cobra por transparência. Nós deixamos o planeta em situação difícil para ela”, provocou a especialista.

 

Evilásio Miranda

Evilásio Miranda

O coolhunter Evilásio Miranda, que abriu a agenda do #ModaInfo com suas “crônicas de fim e recomeço”, chamou a atenção das cerca de 350 pessoas presentes para a necessidade de ouvir o futuro com os sentidos da intuição, do toque e da observação, um convite a se reaproximar do ser humano em tempos de redes sociais digitais.

“O que toca as pessoas? Quais causas elas apoiam? A gente tende a olhar para os produtos no mercado para saber o que está vendendo, mas se esquece que, se as ofertas não estiverem alinhadas com a essência das pessoas, não tem o porquê de existirem”, afirma Evilásio.

 

Novos caminhos

Flavio Bruno

Flavio Bruno

Luciana destacou ainda que a nossa era de excessos deixou a equação de criação de moda mais complexa, “roupas de qualidade, com bom preço e rapidez na entrega já são commodity, é preciso respeitar os valores do seu público, estar integrado a sua cultura e estruturar de vez sua identidade de marca. Copia e cola não dá mais”.

Novos modelos de produção de confecção e vestuário também chegam para modernizar esse sistema com a Indústria 4.0, como apontou Flavio Bruno, autor do livro A quarta revolução industrial do setor têxtil e de confecção, ao público.

Herman Bessler

Herman Bessler

“A revolução atingirá, por meio da automação, internet das coisas e novos materiais vestíveis, a individualização na compra de produtos e serviços a preços muito mais baixos, elaborados sob-demanda à pronta-entrega. Se não trabalharmos mais com estoque, o mark-up morreu, a espera por tecidos importados da China, também”, acredita Flavio.

A inovação vem de outra forma nos movimentos de moda colaborativa, open source e  nas marcas independente que se conectam com as pessoas. “O modelo tradicional, capitalista, está se esgotando. É preciso entender que moda não é vestuário, é interface do self com o mundo, é autoexpressão. O resto é roupa”, explicou Herman Bessler, fundador da Malha, no seu talk sobre Futuro.

 

 

Transição

“O sistema da moda está em plena transformação e detectamos a necessidade do trade de acompanhar essas mudanças na forma de criar, produzir e consumir. Por isso, convidamos o público a se conectar com profissionais de outras áreas, que pensam moda para além do que se veste, um desafio difícil, mas vital para qualquer marca hoje em dia”, afirma Nathalia Anjos, coordenadora do #ModaInfo.

Karine Gottardi, estilista da Tonjovi, em Blumenau, avalia que a nova proposta do evento representa o movimento do mercado. “Essa edição veio para nos mostrar isso de forma nua e crua, eu venho ao evento há anos e acompanho as mudanças no conteúdo e no formato. Infelizmente, há muitas empresas que só copiam o básico e competem por preço, temos muita carência de uma marca de moda que seja verdadeira, com identidade”.

Márcia Chican, diretora de estilo da Kauê Plus Size, de São Paulo, confessou que esperava por tendências do verão 2018, mas que o conteúdo está alinhado com o que o público dela pede. “Após 30 anos no mercado, precisamos inovar e atender ao chamado da sustentabilidade. Será mais difícil, mas é necessário”.

Evandro Brito, da Ônix, no Piauí, resgatou nessa edição o espírito do início do evento, há 24 anos. “Estimular tanto a troca de ideias me lembrou dos primeiros anos de Senac Moda Informação. Quanto mais as pessoas interagirem, mais rico o encontro será”, finaliza.

 

Fotos: Nathalia Anjos, Leandro Mourad e Marcella Ferrari Boscolo

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