Noite de autógrafos em São Paulo aconteceu na Casa Cor, no Jóquei Clube

 

Mestre Espedito Seleiro e Ana Cláudia Martins Maia, diretora regional do Senac Ceará

Mestre Espedito Seleiro e Ana Cláudia Martins Maia, diretora regional do Senac Ceará

Quando, em 2013, o escritor Eduardo Motta prometeu ao Mestre Espedito Seleiro, em Nova Olinda, no Ceará, que escreveria um livro a sua altura, dele ouviu simplesmente “não quero nem mais nem menos”. O artesão é famoso internacionalmente pela autoralidade dos diversos artigos em couro que confecciona, como trajes, acessórios e até mesmo móveis, vendidos Brasil afora.

Promessa cumprida e, semana passada, quatro meses após o lançamento de “Meu Coração Coroado”, publicado pela Editora Senac Ceará, com título que referencia um dos arabescos mais presentes no trabalho de Espedito, o #ModaInfo ouviu do artesão durante a noite de autógrafos em São Paulo, que “o livro foi a melhor coisa que poderiam fazer para ele na vida”.

Com a poesia de quem observa a realidade para além de como ela se apresenta, Eduardo percorre a trajetória de quase sete décadas de ofício de Espedito enquanto retrata o fazer regional que é uma das marcas do nordeste e se imortalizou em personagens fortes como Lampião e Maria Bonita. “Os arabescos em forma de coração remontam aos tempos da colonização europeia de linha ibérica, fortemente influenciada pelos mouros, que povoaram a região”, explica Eduardo.

Cores do Sertão

Cadeira desenvolvida pelo Mestre Espedito

Cadeira desenvolvida pelo Mestre Espedito

“Cor no sertão é superação da realidade. Está associada à floração decorrente de chuvas e às tonalidades vibrantes das fantasias das festas folclóricas. Transmutam o cotidiano duro em manifestação do extraordinário.”
Eduardo Motta – Meu Coração Coroado

 
 
A obra dá atenção especial ao modo que Espedito encontrou para dar uma cara nova aos artefatos que produzia, ainda os anos 1980, ao usar plantas como o urucum e o angico para colorir suas peças, coisa que segue fazendo até hoje, desenvolvendo encomendas sob medida para as passarelas. “Eu fazia a mesma coisa desde os oito anos de idade e percebi que precisava me diferenciar dos outros artesãos para continuar vendendo minhas peças”, lembra Espedito, que conta com 40 funcionários em sua oficina.

Apesar de o tempo do cangaço ter ficado para trás e Mestre Espedito ter inovado para seguir em frente com o ofício, ele conta que a encomenda que mais gosta de fazer ainda é o traje de vaqueiro, composto por calça, gibão, chapéu, botas e luvas, tarefa que demanda até 15 dias de trabalho na sua oficina e pode custar até R$3 mil.

 
Fotos: Marcella Ferrari Boscolo

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