Ateliê interafetivo reúne tecnologia, arte e cultura maker na Vila Madalena

 

Lina Lopes

Lina Lopes

Unindo ciência aos estudos do corpo, a artista amazonense Lina Lopes rompe com a visão ultrapassada de um perfil criativo, avesso ao raciocínio analítico, ao promover a tecnologia como suporte para instalações artísticas e experimentações maker em seu ateliê interafetivo Lilo.Zone, na Vila Madalena.

Lá, é possível aprender a programar pequenos circuitos eletrônicos, realizar oficinas de videomapping, construir wearables, desenvolver projetos de arte cinética ou simplesmente tomar um café, usar a internet e se divertir testando as invenções que parecem ter vindo direto do Mundo do Beakman.

Pra se ter uma ideia, recentemente, a artista realizou no ateliê um café tecnológico sobre Biologia Sintética e Biohacking, em que apresentou um tecido formado por uma colônia de fungos em que pretende injetar grafeno para deixá-lo condutivo. “Vamos ver se o experimento dará certo, o que vale é o processo”, explica Lina.

Interdicisplinar por natureza, ela confessa fugir da educação tradicional nas atividades promovidas em seu espaço. “Acredito na troca de saberes, de tempo e de carinho. Para mim, o ambiente formal das escolas não possibilita isso, é maçante”, acredita.

instalação artística no Lilo Zone

instalação artística no Lilo Zone

Graduada em cinema com mestrado em arte e tecnologia, ela conta ao #ModaInfo que o fato de ter sido alfabetizada em cima da mesa de costura da sua avó, dona Otavina, em Manaus, lhe aproximou da educação como um território de afetos, motivo pelo qual ela aposta na inteligência coletiva nas iniciativas promovidas no ateliê.

A artista explica que o Lilo se mantém numa experiência de economia multimoeda, em que as pessoas estabelecem trocas que não necessariamente envolvam dinheiro, mas sim um “escambo de saberes”. “Desde a abertura do espaço, em 2013, desenvolvemos uma rede de colaboração de pessoas que fazem o ateliê acontecer, cuidando da infraestrutura e da sua programação”, afirma.

Seu interesse por tecnologia nasceu dos tratamentos imersivos que fazia na infância para melhorar a dor que sentia nas costas por causa da escoliose. “Eu estudo o corpo, é onde as coisas me doem. Minha opção de trabalhar com wearables hoje está relacionada a isso. Sei que ainda é uma área dura, seca e desconfortável, mas quero aproximá-la das pessoas”, finaliza a artista, que faz parte do coletivo que está desenvolvendo a programação da ed.2 do #ModaInfo 2017.

Fotos: Marcella Ferrari Boscolo/ Divulgação

 

 

 

 

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