No Dia Internacional do Orgulho LGBTI+, conversamos com Wellington Mendes, docente de moda do Senac Lapa Faustolo sobre a relação do público com a cultura pop, tema do seu talk de hoje na unidade para o encerramento do Festival TransInformativo, identidade, diversidade e gênero, que circulou pela rede Senac São Paulo com discussões importantes sobre representatividade e respeito à comunidade durante o mês de julho.

Principal geradora de ícones LGBTI+, a indústria pop nutre uma relação de amor longeva com a comunidade desde o seu surgimento, na primeira metade do século passado, quando, na pele de atrizes hollywoodianas como Marlene Dietrich, Rita Hayworth e Marilyn Monroe, a figura da mulher saiu do lugar de mocinha intocável para dar vazão à sua sexualidade nas telonas, um lugar tradicionalmente exclusivo dos homens.

“Extravagância, glamour e garra sempre foram pontos de contato entre os ícones culturais e o público LGBTI+. Por isso, o pessoal se apega tanto nas divas pop, figuras historicamente construídas em cima de mulheres transgessoras”, avalia Wellington Mendes, docente de moda do Senac Lapa Faustolo especialista no tema.

Assim, de Carmen Miranda à Anitta, o arquétipo da diva tem se reinventado na indústria através das décadas, inspirando o comportamento de diferentes gerações enquanto a luta por direitos humanos da comunidade progride. “O brilho e o glamour que emanam das auras dessas personalidades projetam a nossa necessidade de visibilização e de alegria, afinal, a nossa realidade é quase sempre mais dura do que a da população cis-hétero”, pondera Wellington.

 

Da inspiração à representatividade

Apesar de ser maravilhoso que essas divas tenham inspirado homens e mulheres a explorarem sua identidade sem se limitar a um comportamento héteronormativo, não podemos esquecer que a maioria delas fez seu nome se adequando ao padrão magro, branco e artificial imposto pela indústria, propagando o preconceito estético em relação à diversidade da beleza.

“Mesmo a Cher, considerada pioneira na relação com o público LGBTI+, não escapou das plásticas e, assim como ela, outras cantoras como Janet Jackson, Madonna e Nicky Minaj também se submeteram a procedimentos excessivos para se manterem no padrão de juventude e beleza da indústria”, avalia.

Não por acaso, num momento de fortalecimento do feminismo como movimento de transformação social, a diva padrão começa a dividir os holofotes com novas personas, que rompem tanto com a relação binária de gênero quanto com a estética acima mencionada e, portanto percorrem territórios híbridos em busca de visibilização.

Um bom exemplo é a atriz transgênero Laverne Cox, famosa por interpretar a cabeleireira Sophia Burset na série Orange is The New Black, cuja figura representa tanto o feminismo negro quanto a diversidade do movimento LGBTI+ no meio artístico.

 

Diversidade em alta na cena pop brasileira

No Brasil, terra de DNA mestiço, a diversidade sempre marcou presença na MPB, na obra de personalidades como Ney Matogrosso, Cazuza e Marina Lima e hoje em dia não é diferente, com classificação da drag queen Pabblo Vitar como uma das cantoras mais influentes do mundo nas redes sociais, de acordo com a Billboard.

“Pabblo puxa a fila de uma nova safra artística que já começou a carreira com a cara no sol, uma demanda antiga de representatividade da nossa comunidade”, observa Wellington, que continua, “apesar de o Brasil ostentar a maior parada LGBTI+ do mundo, também se mantém no topo do ranking de assassinatos motivados por homofobia e transfobia. Por aqui, ser homo ou trans é sinônimo de resistência”.

Listamos abaixo 12 músicas de artistas LGBTI+ brasileiros para fazer o seu dia mais colorido:

 

As Bahias e a Cozinha Mineira – Ó Lua

Aretuza Lovi feat. Gloria Groove – Catuaba 

Aíla – Lesbigay

Glória Groove – Indestrutível

 

Jaloo feat. Badsista – Say Goodbye

 

Karol Conka – Lalá

Liniker e os Caramelows 

 

Linn da Quebrada – Blasfêmea | Mulher

 

Márcia Castro – Treta

Mateus Carrilho – Privê

Pabblo Vittar – Indestrutível

 

Rico Dalasam feat. Mahal Pita – Fogo em mim 

 

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