Apenas 15% dos pequenos empreendedores do ramo declararam realizar vendas on-line, dos quais só 28% possuem site próprio, diz pesquisa do Sebrae

 

Mesmo com a categoria de moda e acessórios em posição de liderança em quantidade de vendas no e-commerce ano após ano, pesquisa realizada pelo Sebrae com mais 5,7 mil donos de pequenos negócios de moda revela que apenas 15% vendem produtos pela internet, dos quais somente 28% via e-commerce próprio.

Mas quais são os desafios do e-commerce para o pequeno negócio de moda? Ser bem-sucedido no meio virtual demanda capacitação, avalia Heloísa Menezes, diretora-técnica da instituição “conhecimentos em logística, tributação e marketing são dificuldades com que os empresários se deparam no dia a dia”. A especialista indica as redes sociais como porta de entrada para atuação on-line por requererem pouco investimento em tecnologia.

Cristiane Fortes, analista de redes sociais da GANG, marca gaúcha de moda jovem veterana no Senac Moda Informação, conta que as vendas oriundas das redes sociais já somam 9% do faturamento anual da empresa, que atua há 40 anos no mercado e, há seis, online. “Estamos sempre de olho no que está ‘rolando’ nas redes e na linguagem que os jovens usam. O Facebook, seguido do Instagram, são as principais redes para nós”, comenta a profissional, que, em 2014, liderou uma pesquisa de quatro meses com a audiência na web que culminou em visitas a 60 clientes da marca para compreender seu comportamento nas redes sociais.

Para cada canal de comunicação, uma abordagem própria se faz necessária, explica Cristiane, “no Twitter somos bem informais e usamos muitos mêmes, já no Instagram, impulsionamos a campanha#MySelfieGang, em que os clientes postam fotos com roupas da marca, de forma muito humana mesmo, semelhante a um blog. O perfil do Facebook é mais comercial, então apresentamos as campanhas vigentes e também as nossas referências de moda”, revela a analista, que aponta o interesse em retomar o blog da marca, “no blog podemos tratar de vários assuntos interessantes para o público sem poluir a nossa timeline, como por exemplo: os looks mais usados no Oscar”, explica.

Como ingressar nas redes sociais?

Facebook, Instagram  e Pinterest lideram ranking de engajamento no nicho, além do Whatsapp e Snapchat, que caíram no gosto do público, avalia Juarez de Paula, gerente de comércio do Sebrae, “o Whatsapp é muito utilizado para comunicação com os clientes e o Snapchat cresce no Brasil devido à popularidade entre os jovens”, avalia o consultor.

Entrar em todas as redes sociais de uma só vez para turbinar o próprio negócio pode se revelar uma estratégia equivocada, principalmente se as redes também forem utilizadas para vendas, caso em que o controle de estoque das peças anunciadas deve ser redobrado, “é necessário ter estratégia para as postagens, atualizar conteúdo de forma constante, monitorar as interações e respondê-las prontamente. Sem esses cuidados, a demora em atender aos clientes vai prejudicar a qualidade do atendimento  e a imagem da marca”, afirma Juarez.

Ou seja, abrir a porta de comunicação direta com os clientes demanda tempo e investimento. De acordo com a Abradi (Associação Brasileira dos Agendes Digitais), um analista de redes sociais sênior pode ganhar até 2,8 mil reais por mês.

No caso de quem ainda está ensaiando para entrar nessa seara, a dica é escolher a principal rede para os seus clientes e criar um perfil corporativo “é importante não misturar o perfil pessoal com o da empresa”, destaca o especialista, que aconselha a programação de pelo menos uma postagem por dia, com o cuidado de não poluir a timeline dos clientes com vários posts, “isso pode envolver e despertar a curiosidade do cliente em relação às novidades sobre produtos, promoções e tendências”, explica.

Além disso, ser educado, evitar opiniões polêmicas e saber lidar com as críticas, que ficarão expostas para visualização e compartilhamento, é fundamental. “Os conteúdos devem ser relevantes para os clientes, transmitir o conceito da marca e promover o engajamento da audiência”, finaliza.

Crédito da imagem: ThinkStock

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