Associação de marcas de moda a fragrâncias exclusivas em momento de crise é dica de consultoria

 

Vitor Santos, executivo da kantar Worldpanel

Vitor Santos, executivo da Kantar Worldpanel

“Cinco gotas antes de dormir e mais nada”, a célebre frase de Marilyn Monroe eternizou o Chanel nº5 como ícone aspiracional de luxo, consolidado até hoje, quase um século após seu lançamento, como a fragrância mais vendida no mundo. Mas o que diria Coco Chanel se soubesse que seria esse perfume, e não as roupas da sua maison, seu carro-chefe de vendas?

De privilégio divino reservado à realeza na Antiguidade, as fragrâncias se transformaram em porta de acesso para o grande público ao imaginário das grifes, conquistando lugar de destaque nas suas vendas ao redor do mundo e, principalmente, no Brasil, 5º maior consumidor global do produto, de acordo com a ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos).

Contudo, nem a perfumaria, queridinha dos brasileiros, escapou da crise em 2015, fechando o ano com queda de 5,6% em volume e 4,3% em valor em relação a 2014, ainda assim melhor do que o segmento de vestuário, que apresentou uma retração de 13,5% em volume e 11,9% em valor no mesmo período, de acordo com pesquisa divulgada pela Kantar Worldpanel.

Mas crise também é terreno fértil para oportunidades, como apresentou Vitor Santos, executivo da KWP, durante o II Congresso Internacional de Perfumes, no Senac Lapa Faustolo, para quem o cenário de austeridade se mostrará mais positivo a partir de 2018. “A associação de novas fragrâncias à moda tem tudo para alavancar o setor outra vez”, acredita.

O profissional revela que, desde 2014, cerca de 800 mil lares brasileiros deixaram de comprar perfumes, contrariando a média de 3 frascos por ano, o que não significa que as pessoas perderam esse hábito, mas que estão racionalizando o uso das fragrâncias para que elas durem mais. O ticket médio também encolheu 5,6% em 2016, girando em torno de R$70.

“O consumidor seguirá mais austero no ano que vem, mas em 2018 ele tornará a investir nas marcas que ele aprecia. Agora é o momento de investir na construção da sua identidade de marca, utilizando inclusive um perfume que atinja a memória olfativa do cliente, por isso o chamamos de acessório imaterial”, explica Vitor.

O especialista em consumo aconselha também aproveitar o atual momento de retração com criatividade, “ao invés de oferecer um perfume para o seu cliente, ofereça dois, um mais impactante para o final de semana e outro mais suave, com volumetria menor, para o dia a dia. Pensando assim, já é possível dobrar o potencial do mercado, que contempla hoje 52 milhões de lares”, finaliza.

Esse cenário, somado aos altos aumentos de carga tributária, alta do dólar e à atual crise econômica e política, acabou influenciando a perda de posição do Brasil no ranking mundial de consumo, passando da terceira para a quarta posição, atrás dos EUA, China e Japão, respectivamente, conforme balanço divulgado pela ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, perfumaria e Cosméticos).

 

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