Confira os destaques da semana mais luxuosa da moda para o inverno

 

Saem as peles, entram as plumas. À medida que maisons consagradas como Chanel, Givenchy e, mais recentemente, Jean Paul Gaultier se distanciam das peles para compor as coleções de moda mais caras do planeta, mais utilizam penas, seja em detalhes, ou nos looks completos.

Esse desapego parcial do trade em relação às matérias-primas animais entregam o estágio tímido da entrada do luxo na sustentabilidade, ainda que simbolize um passo adiante no caminho sem volta do cruelty-free, uma macrotendência de comportamento que tem arrebatado cada vez mais adeptos.

Isso porque os principais coringas para a substituição das peles nas mãos dos costureiros ainda são os tecidos sintéticos, quase sempre feitos de viscose e poliéster, cuja pegada ambiental é igualmente pesada para o planeta, excetuando-se, claro, o sofrimento animal inerente à matéria-prima convencionalmente usada no luxo para casacos de inverno.

Aelis – Paris Haute Couture Fall Winter 19-20 – Paris June/July 2019

Nessa seara, criativos como a designer Sofia Crociani, da Aelis, têm recriado a sensação de peles a partir de fibras naturais sem recorrer a um subproduto da indústria do petróleo. Ela concebeu casacos e vestidos para seu desfile a partir de seda, caxemira e pêlo de camelo, apesar de ainda usar couro. “Todos os materiais são naturais e sustentáveis. Nós nunca usamos peles, apenas as peles de animais que comemos”, disse ela à Agence France Presse.

Voltando ao desfile da Jean Paul Gaultier, estreante na categoria livre de peles, impressionou o esforço da marca em expressar sua capacidade de reproduzir a imagem dessa matéria-prima sem, de fato, recorrer à ela. Nota-se aqui que o apelo da imagem superior ao da posse, sugerindo aos clientes que usar um casaco de pele falsa é tão interessante quando um verdadeiro.

O mesmo se aplica à Givenchy, que bordou plumas em looks inteiros, numa das coleções mais românticas da temporada e, tal qual a Chanel, que recorreu a elas até nos brincos das modelos, transformando o item em hit também nos acessórios.

Dior – Paris Haute Couture Fall Winter 19-20 – Paris June/July 2019

Falando sobre a Dior, Maria Grazia Chiuri retomou seu discurso de rompimento com o patriarcado, transformando o prédio da maison num ponto de encontro dos quatro elementos, ao soltar as bruxas, guerreiras e deusas enviuvadas de seu imaginário na passarela.

“Eu sou minha própria musa, e de nenhum homem mais”, enfatizou a marca em seu instagram, num movimento que tanto endossa o traço criador de Chiuri, quanto cutuca a bolha misógina da moda pelo lado de dentro, considerando inclusive o fato da estilista ter sido a primeira mulher a dirigir a maison, considerada um dos cânones da feminilidade no meio, e fundada por um homem em 1946.

Foi ela que causou alvoroço nas redes sociais também ao abrir mais um desfile com frase de efeito. Desta vez, a modelo desfilou uma túnica branca com a seguinte provocação “Roupas são modernas?”, extraída de uma exposição do Museum of Modern Arts de 1947, mesmo ano do lançamento do New Look da Dior.

Essa pergunta, retórica e, ainda assim, necessária, abre alas para todas as discussões sobre inovação no meio da moda, desde a escolha responsável das matérias-primas até o propósito de um designer em seguir criando roupas para um planeta lotado delas. Afinal, o que significa ser vanguarda no meio fashion nos dias de hoje?

Enquanto a maioria dos criativos tratam de reproduzir à perfeição looks exuberantes que exaltem o poder de fogo das maisons aos olhos dos clientes, há os que parecem sempre se divertir ao elaborar fashion shows questionadores, daqueles que poderiam facilmente ser expostos em mostras de arte.

Esse é o caso da Iris Van Herpen, que encantou o público ao acrescentar elementos de arte cinética em seus looks, trazendo mais uma camada de engenhosidade à sua pesquisa de inovação em formas e tecidos por meio de biomimética.

No sentido de dar continuidade à estética alienígena desenvolvida nas últimas coleções, ela recorreu às esculturas cinéticas do artista norte-americano Anthony Howe, o mesmo que concebeu a pira olímpica no Rio de Janeiro em 2016, para esculpir os looks da sua coleção Hypnosis, um dos pontos altos da semana.

 

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