Evento reuniu profissionais da área em mesa-redonda no Senac Penha

 

Em 29/10, o Senac Penha promoveu mais uma edição do Por Dentro da Moda, evento que percorre as unidades do Senac São Paulo para debater temas em evidência no mercado. A pauta da vez foi diversidade, discutida na mesa-redonda pelo stylist Dudu Bertholini, a psicanalista Mirian Chnaiderman,  a fotógrafa Inês Correa e a docente de moda Monayna Pinheiro.

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O surgimento – e o sucesso – de diversas plataformas de moda que atuam fora dos padrões, como a Squad Agency, cujo casting reúne modelos da chamada “beleza conceitual” nos jargões do styling, ou seja, a beleza que não se vê nos comerciais de margarina, ou a Fifty Models, especializada em mulheres maduras e de marcas plus size, segmento que se destaca no momento de crise que o país atravessa, deram pano para a manga durante o encontro.

“Passamos uma boa parte da segunda metade do século passado imaginando como seriam as roupas que usaríamos na Lua no século XXI. O que aconteceu, de fato, é que desde o início dos anos 2.000, a moda vem fazendo releituras do que já esteve em voga para questionar o que ainda faz sentido nos dias de hoje”, ressalta Dudu.

Inês Corrêa, que também leciona fotografia no Senac Penha, explica que o gênero não é uma questão exclusiva do corpo humano, mas que está presente na construção das imagens que colocamos no mundo. “O legado do nosso tempo será o apagamento das fronteiras na produção das imagens, seja na fotografia, no cinema, na moda e no cotidiano. A hora é agora”, acredita.

 

Moda e autoconhecimento

Conhecido pela sua personalidade exuberante, o stylist lançou em 2014 junto à Mirian o documentário De Gravata e Unha Vermelha, em que escuta grandes nomes ligados à desconstrução de gênero, como a atriz Rogéria, a cartunista Laerte e o escritor João W. Nery.

Dudu falou sobre liberdade das escolhas e do estigma do que é cafona na moda. “Sempre vesti o que eu quis, sem me preocupar com os padrões, eu expresso a minha personalidade por meio das roupas. Afinal de contas, o que é o mau-gosto? Quem inventou o cafona?”, provoca.

 

“A brincadeira com o lado lúdico da moda é o que Freud chamaria de perverso, palavra que à época denotava comportamentos não-convencionais. Curiosamente, hoje, a perversão é não poder brincar”, diverte-se Mirian, ao que Dudu complementa, “nada pode ser mais bonito do que destacar a sua própria personalidade, é muito legal derrubar as regras do certo e o errado. Tudo pode ficar absolutamente lindo num look, contanto que esteja em harmonia com você”, finaliza.

 

 

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