Editorial de moda resgata ancestralidade das civilizações andinas

Apelidado de novo mundo pelos colonizadores europeus, o continente americano possui, em verdade, inúmeros capítulos anteriores à chegada de Cristóvão Colombo em seu território no século XV.

Há cerca de 12 mil anos, a América do Sul recebia suas primeiras povoações nômades, que mais tarde se estabeleceriam em torno da costa fluvial ao longo da Cordilheira, para então tornarem-se as civilizações andinas que, embora já fossem extremamente desenvolvidas no período colonial, com notório conhecimento em ciências como matemática e arquitetura, acabaram dizimadas pelos povos europeus nas conquistas territoriais que sucederam o império Inca.

Cinco séculos depois, o mundo continua se surpreendendo com as descobertas realizadas em sítios arqueológicos da região.  Para a historiadora Patrícia Rieff Anawalf, os Andes Antigos foram o berço de uma das tradições têxteis mais extraordinárias da história. “Como em nenhum lugar do mundo, os tecidos sinalizavam importantes distinções políticas, sociais e religiosas. Fundamentavam todo um sistema estético”, afirma ela no livro História Mundial da Roupa, publicado pela Editora Senac SP.

Na obra, Patrícia destaca que em 3000 a.C., comunidades instaladas onde hoje é o Peru já fabricavam tecidos de algodão recém-domesticado, além de desenvolverem o tear de pente liso no milênio seguinte e dominarem diferentes técnicas de metalurgia para confecção de adornos de madeira, ouro, cobre e prata.

A exuberância dessa cultura não passou despercebida pelos olhares atentos da dupla Maitê Cipriano e Gênesis Zavaleta, que escolheram pesquisar a antiga civilização Chimu como referência para a concepção do editorial de moda que apresentaram como conclusão da pós-graduação em Styling do Senac Lapa Faustolo.

O povo Chimu se desenvolveu entre os séculos 1100 d.C. e 1470 d.C., no que atualmente é a cidade de Trujillo, no estado de La Libertad, no Peru. “Em sua capital, Chan Chan, habitavam cerca de 50 mil cidadãos, o que faz dela uma das maiores cidades da época”, apontam as pesquisadoras.

Como mote do editorial, a dupla escolheu o idioma Quingnam, falado pela população local antes da colonização europeia. “A realização do editorial de moda na cidade de Trujillo, no norte do Perú, foi uma viagem intercultural na América Latina, pois permitiu explorar uma cultura pouco conhecida. Localizada no norte peruano, Trujillo é muito rica em belezas naturais, gastronomia, arquitetura colonial e centros arquitetônicos pré-incas”, contextualiza a dupla.

Para a execução do editorial, as meninas viajaram para o sítio arqueológico da cidade de Chan Chan, no Peru, cujo resultado você confere aqui:

 

Crédito da imagem em destaque: @genesispzr

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